PCC: veja mansão de R$ 2 milhões negociada no "tribunal do crime"
Investigação do MPSP, que resultou na Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21/7), mostra detalhes da negociação patrimonial

A mansão de luxo apontada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como o elemento principal de uma disputa de R$ 2 milhões que foi submetida ao chamado tribunal do crime do Primeiro Comando da Capital (PCC) tem dois andares e está localizada na Riviera de São Lourenço, em Bertioga (SP), um dos bairros mais luxuosos da capital paulista.
Segundo a investigação, o caso expôs a atuação da facção em negociações patrimoniais e passou a integrar as provas da Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21/7) contra operadores financeiros ligados à facção.
Conforme as investigações, o empresário Cléber Azevedo dos Santos, apontado como vendedor do imóvel, e Marcelo de Morais Oliveira, identificado como comprador, passaram a disputar o pagamento do valor relacionado à negociação da residência de alto padrão.
A partir da análise de celulares apreendidos, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) concluiu que o conflito deixou de ser apenas comercial e passou a ser tratado por integrantes do PCC. Cléber e Marcelo estão entre os investigados que tiveram a prisão preventiva decretada durante a operação.
Segundo o MP, Cléber contou com o auxílio de Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana, ambos alvos de prisão preventiva e já denunciados anteriormente na Operação Bazaar, para se aproximar de integrantes da facção.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroEntre eles estava Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo Moja ou Léo do Moinho, apontado como uma das principais lideranças do PCC e que também teve a prisão preventiva decretada.
Disputa
As investigações apontam que, em maio de 2023, Cléber participou de uma reunião na zona sul de São Paulo com integrantes da organização criminosa para discutir o impasse envolvendo a mansão.
De acordo com mensagens extraídas dos aparelhos celulares, Marcelo compareceu ao encontro acompanhado de faccionados, que teriam tentado intimidar Cléber. Como não houve acordo entre as partes, a decisão sobre o conflito foi submetida ao chamado tribunal do crime da facção.
Em outra conversa analisada pelos investigadores, Cléber afirma enfrentar problemas relacionados às “ideias do comando” sobre a casa da Riviera e diz que a questão seria resolvida no “resumo de SP” — expressão que, segundo os promotores, faz referência ao sistema interno utilizado pelo PCC para solucionar conflitos.
Ainda de acordo com o órgão, embora afirmasse não integrar formalmente a facção, Cléber demonstrava submissão às regras da organização. Em mensagens, ele chama integrantes do PCC de “irmãos”, agradece pelo apoio recebido e se refere a Marcelo como “companheiro” da facção.
Outro elemento que reforçou a investigação foi a descoberta de um grupo de WhatsApp chamado “Assunto Pertinente a casa Riviera”. Nele, os investigadores localizaram uma gravação feita durante o suposto tribunal do crime.
O MP também identificou um encontro presencial realizado em novembro de 2023 para tratar exclusivamente do caso. O endereço da reunião foi compartilhado entre investigados que, segundo a Promotoria, atuaram na intermediação entre os empresários e integrantes da facção.
Operação Janus
A Operação Janus investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos e outros bens, com limite de até R$ 10 milhões por investigado.
Ao todo, nove pessoas diretamente envolvidas na disputa pela mansão tiveram a prisão preventiva decretada. Segundo o MP, elas participaram, em diferentes momentos, das negociações, da intermediação com integrantes do PCC ou do chamado tribunal do crime.
No documento da operação, também é citado nome de comandantes e diretores da Polícia Militar. Entre os nomes, estão os dos coronéis Pereira Martins, José Augusto Coutinho e Patrício. No entanto, eles não foram alvos.





