Mirelle Pinheiro

Pai de aluno investigado por “lista de estupráveis” ameaça estudantes. Veja vídeo

Homem teria intimidado colegas do filho e dito que “se ele não se formasse, os demais também não se formariam”

atualizado

metropoles.com

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Imagem colorida, Universidade Federal do Mato Grosso- Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida, Universidade Federal do Mato Grosso- Metrópoles - Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O pai de um dos alunos envolvidos na suposta criação de uma “lista de alunas estupráveis” é é policial federal da ativa e passou a ser investigado por suspeita de ameaçar estudantes do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá (MT), após denúncias feitas contra o filho. A informação foi confirmada à coluna pela Polícia Civil do estado nesta quarta-feira (20/5).

 

Segundo a polícia, o homem já foi intimado para prestar depoimento na 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá, responsável pela investigação das ameaças, mas ainda não compareceu à unidade policial. O caso tramita paralelamente ao inquérito conduzido pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), que apura as mensagens atribuídas a estudantes da UFMT sobre violência sexual contra colegas.

“O autor registrou boletim de ocorrência no qual relata que o filho estava sendo ameaçado por outros estudantes, motivo pelo qual teria ido à UFMT. As investigações estão em andamento.”

De acordo com a universidade, câmeras de segurança registraram, na manhã do dia 13 de maio, o momento em que um homem abordou um estudante em tom ameaçador dentro do campus. De acordo com relatos feitos à UFMT, ele afirmou que “se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”.

O homem foi identificado como pai de um dos estudantes envolvidos no caso conhecido como “lista de estupráveis”, denunciado no início de maio na Faculdade de Direito da universidade.

Após a abordagem, estudantes procuraram a direção da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET), que acionou a Reitoria da UFMT. Os alunos, acompanhados por um advogado, registraram boletim de ocorrência e formalizaram representação criminal junto à Polícia Civil.

Imagens das câmeras de segurança da UFMT que circulam nas redes mostram o suspeito andando pelos corredores usando boné preto, mochila e um objeto preso à cintura semelhante a uma pasta.

O colegiado do curso de Engenharia Civil decidiu transferir para o formato remoto as aulas teóricas das turmas do primeiro semestre entre os dias 14 e 18 de maio. As atividades práticas foram suspensas temporariamente.

A universidade também instaurou uma Comissão de Inquérito Disciplinar Discente para apurar os fatos tanto na FAET quanto na Faculdade de Direito. Segundo a instituição, todas as partes envolvidas serão ouvidas, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Relembre o caso

O caso ganhou repercussão após o vazamento de mensagens atribuídas a estudantes da UFMT que faziam referência a violência sexual contra colegas. Em um dos trechos obtidos pela coluna e divulgado no dia 8 de maio, um dos envolvidos afirma: “Vou brocar uma na primeira semana”. Em outra mensagem, um estudante diz: “Vou molestar”, ao comentar sobre colegas do curso.

Os alunos também teriam combinado a criação de um “ranking de alunas mais estupráveis dos cursos”.

A divulgação das mensagens provocou protestos de estudantes no campus da universidade e levou a UFMT a instaurar um processo administrativo disciplinar (PAD) para investigar os envolvidos.

Em nota, a universidade repudiou o episódio e afirmou que “qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos” será apurada e combatida dentro da instituição.

O Centro Acadêmico VIII de Abril, representante dos estudantes de Direito, também condenou as mensagens e classificou o caso como incompatível com os princípios da formação jurídica.

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