
Mirelle PinheiroColunas

“Não tenho medo de ser preso”, diz policial do DF que ameaçou ex. Veja vídeo
Novos áudios mostram escrivão da PCDF desdenhando da prisão e fazendo ameaças; caso é investigado pela Corregedoria
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Em novos áudios obtidos com exclusividade pela coluna, o escrivão da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Bruno Moreira dos Santos (foto em destaque) afirma à então companheira que “não tem medo de ser preso”, enquanto faz ameaças a ela.
“Ahh Maria da Penha? Eu posso ficar preso 1, 3, 10, 20 anos. Eu vou sair e vou ganhar mais dinheiro que você. Porque você é uma merda. Posso ficar 20 anos preso e não ver a luz do dia um dia sequer. No vigésimo primeiro ano eu vou sair feliz pra caralho. Porque eu tô tranquilo. Não tenho medo de ficar preso nenhum mês. Foda-se. Se eu tiver que matar, eu mato aqui rindo”, disse.
Durante a discussão, ele ainda menospreza a vítima. “Você acha que eu vou me foder? Eu ganho mais. Você acha que eu tenho medo dessa porra? Você acha que tenho medo de morrer? Olha pra porra da minha cara, piranha. Você acha que eu tenho medo de você?”, continuou.
Em outro trecho, o policial aparenta estar gravando a mulher enquanto a intimida. “Fala para eles qual foi o caralho do crime que cometi. Fala para eles. Eu estou te perguntando.”
Ela então responde: “Mostra que você está com a pistola na mão e que já atirou várias vezes. Mostra.”
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, o servidor apresentou uma arma de pressão, conhecida como “chumbinho”, ao prestar depoimento e negou ter utilizado a arma de fogo funcional registrada em seu nome. A versão é investigada pela Corregedoria.
A corporação também informou que determinou a retirada da arma funcional do policial.
Entenda o caso
A coluna teve acesso a uma série de áudios que expõem episódios recorrentes de violência ao longo de cerca de dois anos de relacionamento. A reportagem localizou a vítima que, apesar de estar com medo, aceitou conceder entrevista sob a condição de não ser identificada. Ela detalhou a violência vivida durante o relacionamento e pediu justiça.
Segundo a mulher, as agressões verbais e ameaças se intensificavam principalmente quando o escrivão consumia bebidas alcoólicas.
Nas gravações, é possível ouvir o homem em meio a xingamentos: “Eu sou todo errado, porra. Que vida de merda que eu tenho. Eu não valho porra nenhuma. Eu sou um merda. Vai se fuder, filha da puta”, diz, enquanto sons de tiros são ouvidos ao fundo.
De acordo com o relato, a gravação de 13 minutos começou após uma confusão em uma balada no centro de Brasília, quando uma cliente acionou seguranças alegando ter sido empurrada. O escrivão, que estava armado, teria exigido acesso às imagens das câmeras de segurança do local.
Ao deixar o estabelecimento, o servidor teria direcionado a fúria à companheira. No áudio, a vítima implora para que ele não atire, enquanto ele intensifica as ameaças.
Em determinado momento, Bruno afirma que “mata rindo” e volta a ameaçá-la: “Eu mato os outros rindo! Você entendeu essa porra? Eu mato rindo. Eu pego o canivete e arranco o pescoço. Eu arranco no dente, porra; arma é o caralho! Eu corto a cabeça no dente! Eu fico três dias mordendo essa porra no dente!”
