
Mirelle PinheiroColunas

MPF pede que crimes patrimoniais contra mulheres sejam punidos
MPF quer acabar com a isenção de pena para crimes patrimoniais cometidos em contexto de violência doméstica e familiar contra mulheres
atualizado
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O Ministério Público Federal (MPF) quer acabar com a isenção de pena para crimes patrimoniais cometidos no contexto de violência doméstica e familiar contra mulheres.
Em parecer apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que a chamada escusa absolutória – que impede a punição de cônjuges, pais e filhos por furtos e estelionatos entre si – não pode ser aplicada quando há violência contra a mulher, e deve ser declarada inconstitucional.
Segundo Gonet, a imunidade pode incentivar a impunidade e revitimizar mulheres já vulneráveis.
A ação foi movida pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), que questiona o uso do artigo 181 do Código Penal para isentar de punição cônjuges, pais e filhos que cometem crimes como furto, estelionato e apropriação indébita entre si.
Segundo a Conamp, essa imunidade não pode prevalecer quando há violência patrimonial contra mulheres, pois enfraquece a proteção garantida pela Lei Maria da Penha.
O procurador-geral da República reforça que o STF já reconheceu, em diversas decisões, a necessidade de garantir proteção especial às mulheres vítimas de violência doméstica.
“A norma foi editada em um contexto cultural e legislativo em que vigorava hierarquia entre marido e esposa no seio das relações familiares, dissociado dos valores da atual ordem constitucional”, argumenta Gonet.
O STF ainda não tem data para julgar o caso.













