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Mirelle Pinheiro

Mensagens revelam viagens de Jaques Wagner em aeronaves do Master

Investigação da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da PF, cita viagens em avião particular e ingressos de R$ 63 mil para show nos EUA

18/06/2026 10:44
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Reprodução
Jaques Wagner indicou Mantega para o Master

Conversas extraídas do celular do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do grupo associado ao Banco Master, mostram uma série de contatos com o senador Jaques Wagner (PT-BA), incluindo a oferta de aeronaves particulares para viagens do parlamentar. O caso integra a 9º fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18/6).

Entre os episódios citados na investigação da PF está uma viagem realizada em outubro de 2023. De acordo com a representação, Augusto Lima colocou uma aeronave particular à disposição de Jaques Wagner e de familiares para um deslocamento entre Salvador e a chamada “Ilha da Paixão”, apontada pelos investigadores como propriedade do empresário.

Em outro trecho, a PF relata que Wagner procurou o empresário em busca de contato de um piloto para uma viagem ao Rio de Janeiro. Após uma ligação entre os dois, Augusto teria encaminhado ao parlamentar o contato identificado como “Breno Copiloto Banco” e, em seguida, repassado ao piloto o telefone do senador.

“A autoridade policial aponta que a relação entre os dois seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, aponta a decisão.

Além do uso de aeronaves privadas, há outras vantagens que teriam sido oferecidas ao senador. Entre elas estão ingressos para shows realizados nos Estados Unidos e a aquisição de um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.

No caso dos ingressos, a investigação aponta que Augusto teria determinado a compra de entradas para familiares do senador em um show de uma cantora internacional realizado em Los Angeles, na Califórnia. Os bilhetes teriam sido adquiridos pela empresa REAG Investimentos S.A. pelo valor total de R$ 63.339.

Após receber os arquivos das entradas para um camarote, o senador teria solicitado a ampliação do número de convidados.

“Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.”, respondeu Augusto em mensagem reproduzida pela decisão.

Operação

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18/6), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os principais alvos, estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal.

Além das buscas, foram autorizadas medidas cautelares diversas da prisão, como suspensão de passaportes e proibição de contato entre os investigados.

As suspeitas envolvendo Jaques Wagner surgiram a partir da análise de mensagens extraídas do celular de Augusto Lima. Os investigadores tentam esclarecer se o senador teria atuado em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre elas uma proposta que ampliava o crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.

Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela PF eram desnecessárias, alegando que o empresário está à disposição das autoridades há seis meses para prestar esclarecimentos. Os advogados também sustentam que ele sempre atuou dentro da legalidade e com observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.