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Mirelle Pinheiro

Juiz do DF que ameaçou vítima disse à promotora: “Aqui não é cozinha”. Veja vídeo

O nome do juiz já figurou em outras polêmicas. Em 2023, ele determinou a soltura de um réu no mesmo dia em que o homem havia sido condenado

22/06/2026 10:21, atualizado 22/06/2026 10:28
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Material cedido ao Metrópoles
Juiz do DF que ameaçou vítima disse à promotora: “Aqui não é cozinha”

O juiz do Distrito Federal (DF) Olair Teixeira Oliveira Sampaio, titular da Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Brazlândia, que chamou uma vítima de tentativa de feminicídio de “arrogante” durante uma audiência e ameaçou penalizá-la, interrompeu uma promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) na mesma audiência e afirmou que a sessão “não era uma cozinha”. O material foi obtido com exclusividade pela coluna.

O caso ocorreu em 13 de dezembro de 2023. Meses antes, a mulher havia sido vítima de uma tentativa de feminicídio qualificado em via pública, quando foi espancada com golpes na cabeça.

A reportagem teve acesso ao vídeo da audiência, que ocorreu virtualmente. Após a testemunha narrar o espancamento durante a instrução, a promotora questiona se ela já havia presenciado uma cena daquela magnitude antes, momento em que a defesa do réu e o magistrado reagem ao questionamento.

“Por favor, doutora! Por favor, doutora! Refaz a pergunta”, diz Olair, enquanto a advogada do réu afirma que a audiência é uma instrução criminal e não uma brincadeira de criança.

“Doutora, parece que a senhora está perdendo a noção de que isso aqui é uma instrução, de que é onde as armas são iguais. Aqui não é pingue-pongue, uma mesa de pingue-pongue, não é uma cozinha, tá certo? Aqui têm normas que devem ser seguidas. Não tem por que a senhora perguntar pra ela se já viu cena igual. A senhora está saindo completamente dos limites”, diz o magistrado.

Em resposta, a promotora pede que ele use a mesma régua com a defesa em qualquer pergunta que não for relativa aos fatos. O juiz ignora a fala e pede que ela prossiga. A promotora então responde: “Acabou meu depoimento, excelência. Não é cozinha, não é mesmo? Agora é a vez da advogada.”

“Arrogância”

Conforme noticiou a coluna nesta segunda-feira (21/6), Olair afirmou, na mesma sessão, que a vítima de tentativa de feminicídio estaria agindo com “arrogância”.

Em um dos trechos da audiência, a mulher demonstra insatisfação ao ser questionada repetidas vezes pela defesa do réu sobre os mesmos pontos.

“Eu vou repetir tudo de novo?”, pergunta a vítima à advogada ao ser questionada sobre um assunto já debatido anteriormente. Neste momento, as mulheres são interrompidas pelo juiz, que dispara: “Eu vou terminar proibindo o depoimento da senhora, a senhora vai ficar prejudicada, tá certo? Eu vou avisando pela última vez: se a senhora continuar com essa arrogância, tá certo? A senhora vai ser penalizada aqui”, diz em tom elevado.

A coluna procurou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) para comentar o caso, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria.