
Mirelle PinheiroColunas

“Exército de formigas”: apostas pulverizaram dinheiro para o crime
Em documento obtido pela coluna, esquema bilionário de bets de Mc Ryan, tem como perfil principal pessoas que recebem auxílio emergencial
atualizado
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A Polícia Federal (PF) identificou uma estratégia de pulverização de dinheiro no esquema envolvendo o cantor MC Ryan SP. Segundo documentos obtidos pela coluna, empresas ligadas a apostas ilegais utilizaram milhares de transferências de pequeno valor — prática conhecida como “smurfing” — para dificultar a detecção de movimentações bilionárias.
De acordo com a investigação, apenas em agosto de 2024, uma única empresa facilitadora identificada como YCFSHOP, atual OMS Tecnologia, concentrou diversos depósitos fracionados, muitos deles com valores “quebrados”, enviados por pessoas físicas.
A técnica, consiste em dividir grandes quantias em pequenas transações, evitando alertas automáticos de órgãos de controle, como o Banco Central.
A PF aponta ainda que milhares de brasileiros que apostavam em plataformas ilegais, como o chamado “Jogo do Tigrinho”, acabaram integrando, sem saber, a engrenagem financeira do esquema.
Outro ponto é o perfil de parte dos pagadores. Segundo o relatório, diversos “ordenantes” de transferências via PIX haviam sido beneficiários do Auxílio Emergencial em 2020.
Operação
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (15/4), com a participação de mais de 200 policiais. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária.
Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. Foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, além de documentos e equipamentos eletrônicos.
Entre os presos estão MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário do esquema, além de MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, o influenciador Chris Dias e sua esposa, Débora Paixão.
De acordo com as autoridades, o esquema utilizava empresas do ramo artístico e digital para misturar receitas legais com dinheiro de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas virtuais.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens ligados aos investigados.
