Mirelle Pinheiro

“Cegueira deliberada”: fintechs ignoram fraudes bilionárias de Ryan

PF aponta que instituição financeira ajudou a viabilizar movimentações ligadas a apostas ilegais e lavagem de dinheiro

atualizado

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MC Ryan SP, que teve seu visto negado nos EUA - Metrópoles
1 de 1 MC Ryan SP, que teve seu visto negado nos EUA - Metrópoles - Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) identificou o que classifica como “cegueira deliberada” por parte de instituições financeiras no esquema bilionário envolvendo o cantor MC Ryan SP. Segundo documentos obtidos pela coluna, fintechs teriam ignorado inconsistências cadastrais e operações suspeitas, permitindo a movimentação de bilhões de reais ligados a fraudes e apostas ilegais.

Um dos principais alvos da investigação é a Cartos SCD, apontada como fornecedora de infraestrutura essencial para o funcionamento do esquema. “A Cartos SCD é investigada por atuar como o ‘nó logístico’ em uma fraude sistêmica evidenciando que sua plataforma é reiteradamente permeável e estruturada para viabilizar fraudes financeiras em escala bilionária.”

A investigação também aponta que a instituição já aparece em outros casos de grande repercussão e foi alvo de apurações no Congresso Nacional, como a “Compliance Zero” e “Sem Desconto”, que atuaram na liquidação do Banco Master.

Além disso, os documentos detalham como empresas de fachada eram criadas e preparadas para operar dentro do sistema financeiro. Um dos exemplos citados é o de Estefany Pereira da Silva, apontada como “laranja” na estruturação da empresa Broker Platinum. “Estefany foi a responsável por abrir e estruturar a ‘empresa de prateleira’ no esquema, firmou contratos com instituições financeiras usando dados ideologicamente falsos de que a empresa seria uma corretora de valores.”

A PF destaca que o modelo de “Banking as a Service” pode ter sido explorado para dar aparência de legalidade a operações fraudulentas, burlando mecanismos básicos de fiscalização.

Segundo os investigadores, a empresa Broker Platinum operava como intermediadora clandestina, dispersando recursos de origem ilícita para diferentes contas e operadores.

Operação

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (15/4), com a participação de mais de 200 policiais. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária.

Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. Foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, além de documentos e equipamentos eletrônicos.

Entre os presos estão MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário do esquema, além de MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, o influenciador Chris Dias e sua esposa, Débora Paixão.

De acordo com as autoridades, o esquema utilizava empresas do ramo artístico e digital para misturar receitas legais com dinheiro de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas virtuais.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens ligados aos investigados.

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