Mirelle Pinheiro

Esposa de Moraes: o que disse servidora suspeita de acessar dados

Quando foi questionada internamente, ela respondeu por e-mail e apresentou provas à Receita

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles
Ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes metrópoles
1 de 1 Ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

A coluna apurou que a servidora Ruth Machado dos Santos investigada por suposto acesso a dados da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, já havia apresentado justificativas formais à Receita Federal antes da deflagração da operação da Polícia Federal.

Quando foi questionada internamente, ela respondeu por e-mail e apresentou provas.

Segundo pessoas com conhecimento do procedimento, a servidora afirmou que não realizou a consulta apontada pelos sistemas e apresentou documentos para demonstrar que, no dia e horário indicados, estava em atendimento presencial a um contribuinte na agência da Receita onde trabalha, no Guarujá, litoral de São Paulo.

Mesmo após essas explicações, ela foi surpreendida na terça-feira de Carnaval por policiais da PF, que cumpriram mandado de busca e apreensão em sua residência.

Objetos pessoais foram recolhidos e, por determinação judicial, a servidora passou a usar tornozeleira eletrônica, foi afastada do cargo e impedida de acessar os sistemas do Fisco.

Em depoimento à PF, Ruth Machado dos Santos  respondeu a seis perguntas encaminhadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Durante cerca de 40 minutos, ela reiterou que não acessou dados cadastrais de Viviane Barci e que jamais compartilhou login ou senha com terceiros.

Afirmou ainda que possui registros do atendimento realizado no momento do suposto acesso, incluindo informações cadastrais do contribuinte que estava sendo atendido.

A Receita Federal informou ao STF que houve consultas a dados como CPF, filiação e data de nascimento da advogada, além de informações eleitorais. A servidora nega ter feito qualquer uma dessas pesquisas.

A defesa sustenta que Ruth tem quase 32 anos de serviço público, nunca respondeu a sindicância, procedimento disciplinar ou investigação administrativa e sempre atuou em funções técnicas.

Em nota, os advogados afirmam que ela não possui vínculo político-partidário, não tem histórico de militância e que confia no esclarecimento dos fatos.

O caso faz parte de um inquérito que apura possível acesso e vazamento de informações sigilosas de ministros do STF e de seus familiares. A investigação foi aberta a partir de auditoria interna solicitada pelo próprio Supremo, no contexto do inquérito das fake news.

Além de Ruth, outros três servidores também são investigados.

A Receita informou que seus sistemas são integralmente rastreáveis e que a auditoria ainda está em andamento. O relatório final deverá ser encaminhado ao STF até o fim do mês.

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