
Mirelle PinheiroColunas

“Drive-thru da propina”: TV serviu como ponto de venda de sentença
O local virou, segundo a apuração, um ponto de encontro para repasse de propina em um esquema que negociava sentenças
atualizado
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A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) mostrou um detalhe que chama atenção até em meio a um caso já explosivo, a entrega de dinheiro em espécie teria ocorrido dentro da sede de uma emissora de TV.
O local virou, segundo a apuração, um ponto de encontro para repasse de propina em um esquema que negociava decisões judiciais. O esquema foi alvo de operação na manhã desta quarta-feira (1°/4).
As provas reunidas pela PF mostram que o então assessor Lúcio Fernando Penha Ferreira teria ido pessoalmente ao local buscar parte do pagamento.
Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que ele foi visto saindo da emissora com dinheiro em espécie, utilizava um veículo de luxo, uma Land Rover, e teria participado diretamente da operação.
Em uma das conversas, o motorista de um dos investigados relata: “É o cara que vi saindo com dinheiro na mão.” A versão foi reforçada pela análise técnica da Polícia Federal.
Os investigadores conseguiram identificar o veículo como pertencente ao assessor, confirmar a presença do carro na emissora e cruzar a data com o relato da colaboração premiada.
Segundo o delator, foi exatamente naquele dia que parte da propina foi paga para viabilizar uma decisão judicial. A emissora pertence a um dos investigados no esquema, o empresário Manoel Nunes Ribeiro Filho.
De acordo com a investigação, o local teria sido usado como ponto de encontro, ambiente de negociação e espaço para entrega de valores em espécie. A investigação aponta que decisões judiciais eram negociadas por valores que chegavam a R$ 250 mil, com pagamentos fracionados conforme o andamento do processo.
Parte do dinheiro era entregue em espécie e outra parte transferida para contas de empresas e terceiros
