Mirelle Pinheiro

Venda de sentença: “assessor ostentação” comprou Porsche de R$ 500 mil

Segundo a apuração, Lúcio deu uma entrada de R$ 339 mil e financiou outros R$ 220 mil em parcelas mensais superiores a R$ 6 mil

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Venda de sentença: “assessor ostentação” comprou Porsche de R$ 500 mil
1 de 1 Venda de sentença: “assessor ostentação” comprou Porsche de R$ 500 mil - Foto: Reprodução

Apontado como um dos principais operadores do esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), o ex-assessor Lúcio Fernando Penha Ferreira levava uma vida de alto padrão, incompatível com o salário que recebia no cargo.

Conhecido nos bastidores como “assessor ostentação”, ele foi preso na manhã desta quarta-feira (1º/4), durante a Operação Inauditus, da Polícia Federal (PF).

Entre os indícios que chamaram a atenção dos investigadores está a aquisição de um Porsche Macan T 2.0 Turbo, avaliado em cerca de R$ 500 mil.

Segundo a apuração, Lúcio deu uma entrada de R$ 339 mil e financiou outros R$ 220 mil em parcelas mensais superiores a R$ 6 mil.

O padrão de vida incluía ainda relógio de luxo e a compra de um apartamento avaliado em mais de R$ 4 milhões.

Enriquecimento ilícito

O ex-assessor já havia sido alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no TJMA, que investigava possível enriquecimento ilícito.

Na decisão, o presidente do tribunal, desembargador Paulo Velten, apontou indícios de crescimento patrimonial incompatível com a renda. Segundo ele, a evolução financeira de Lúcio ocorreu após sua nomeação como assessor, em 2016.

De acordo com a Polícia Federal (PF), Lúcio atuava como intermediador na negociação de decisões judiciais. Uma delação premiada indica que ele participou diretamente da venda de uma decisão por R$ 250 mil.

Parte do valor teria sido paga em dinheiro vivo, cerca de R$ 150 mil, e teria sido buscada pessoalmente por ele. O restante foi distribuído entre outros investigados.

Como funcionava o esquema

As investigações apontam que o grupo atuava de forma estruturada com a identificação de processos milionários, intermediação por assessores e advogados, direcionamento de decisões e prioridade na tramitação de casos específicos.

Também foram identificados indícios de triangulação financeira para ocultar a origem dos recursos.

A operação também mira desembargadores, juízes, assessores, advogados e empresários.

A coluna apurou que a operação também mira outros nomes ligados ao Judiciário e ao esquema investigado:
• Antônio Pacheco Guerreiro Júnior – desembargador (afastado)
• Luiz de França Belchior Silva – desembargador (afastado)
• Douglas Lima da Guia – juiz de direito
• Tonny Carvalho Araújo Luz – juiz de direito
• Sumaya Heluy Sancho Rios – ex-assessora
• Maria José Carvalho de Sousa Milhomem – assessora
• Eduardo Moura Sekeff Budaruiche – assessor
• Francisco Adalberto Moraes da Silva – ex-servidor
• Karine Pereira Mouchrek Castro – ex-assessora
• Ulisses César Martins de Sousa – advogado
• Eduardo Aires Castro – advogado
• Antônio Edinaldo de Luz Lucena – empresário
• Lucena Infraestrutura Ltda – empresa
• Manoel Nunes Ribeiro Filho – investigado
• Aline Feitosa Teixeira – investigada
• Jorge Ivan Falcão Costa – investigado

Operação

A Operação Inauditus cumpre mandados em diversos estados e já resultou na prisão de um dos principais operadores do esquema.

A Justiça também determinou afastamento de servidores, monitoramento eletrônico e bloqueio de até R$ 50 milhões.

O que diz o TJMA

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça do Maranhão informou que colabora com a Operação Inauditus, deflagrada nesta quarta-feira (1/4) pela Polícia Federal, em cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que inclui unidades do Poder Judiciário estadual.

“O TJMA informa que editou o ato do afastamento de um desembargador e efetivou a exoneração de quatro servidores comissionados, que foram afastados pelo STJ. O TJMA reafirma seu compromisso com o princípio da transparência, colocando a administração à disposição das autoridades no que for cabível.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?