
Mirelle PinheiroColunas

“Desertora” se disse arrependida da vida do crime dias antes de morrer
Cerca de 20 dias antes de ser assassinada, Ana Luiza lamentou suas escolhas em conversa com a mãe
atualizado
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Mensagens compartilhadas nas redes sociais pela mãe de Ana Luiza Brito — morta e esquartejada por integrantes Comando Vermelho (CV) — revelam que a jovem assassinada se mostrou arrependida, pouco antes de morrer, de ter entrado para a vida do crime.
Desde que a notícia do esquartejamento de Ana Luiza tomou conta da imprensa, nessa quinta-feira (26/6), Liliane Lima, a mãe da menina, publicou diversos desabafos nas redes sociais.
Em uma das conversas entre as duas, a mãe teria enviado uma foto em família e escrito: “que saudade dessa época”. Em resposta, a menina confessou que também sentia saudades e lamentou as escolhas feitas.
“Tivesse sido uma pessoa inteligente, minha vida seria diferente hoje”, declarou Ana Luiza.
A conversa ocorreu em 5 de junho, exatamente 20 dias antes da jovem de 22 anos, que era mãe de três crianças, ser brutalmente assassinada.
“Fruto da rebeldia”
Também nas redes sociais, a mãe da jovem relatou que a filha não ouviu os seus conselhos e acabou seguindo na vida do crime. Ela disse que não busca justiça nem quer saber quem cometeu o crime: “A justiça não vai trazer minha filha de volta”.
Em tom de alerta, a mãe ainda refletiu sobre as escolhas da filha: “O que aconteceu com minha filha é fruto de desobediência. Fruto da rebeldia, de achar que é dona do mundo”.
Ela também disse que tentou encontrar oportunidades de emprego para a garota: “Tentei tirar ela dessa vida, ofereci para trabalhar comigo, mas Ana Luiza já tinha 21 anos e eu não podia obrigar, né?”.
Vingança
A jovem foi morta em um possível ato de vingança. Ela teve uma das mãos colocada dentro de uma bolsa e um bilhete foi inserido em sua boca. O conteúdo do recado ainda não foi divulgado pela polícia.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Eunápolis, no extremo sul da Bahia.
Preliminarmente, a polícia acredita que Ana Luiza foi assassinada por integrantes do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção aliada ao Comando Vermelho (CV), após suspeitarem que ela tivesse delatado o paradeiro de Matheus Rodrigues de Souza, de 24 anos, para rivais do Bonde do Maluco (BDM), grupo ao qual ela estaria migrando.
Matheus foi morto a tiros na noite de segunda-feira (23), no bairro Gusmão.
O corpo da jovem foi encontrado na manhã dessa quarta-feira (25/6), esquartejado, às margens de uma estrada de terra no bairro Delta Park, nas imediações da BR-367.










