Mirelle Pinheiro

BNDES: empresário tentou empréstimo de R$ 15 mi para ajudar quadrilha

O homem atuava como operador financeiro de um grupo especializado em desviar carga de grãos. Ele é investigado pela PCMT

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

empresário PCMT
1 de 1 empresário PCMT - Foto: null

Na mira da Polícia Civil do Mato Grosso (PCMT) há pelo menos três anos, um empresário do ramo de transportes, envolvido no furto de mais de R$ 20 milhões em cargas de grãos de fazendas mato-grossenses, articulou um esquema de levantamento ilegal de R$ 15 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para auxiliar um grupo criminoso.

O homem foi alvo da terceira fase da Operação Safra, deflagrada na terça-feira (24/6), pela Polícia Civil.

As investigações realizadas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apontaram que o investigado atuava como operador financeiro do grupo criminoso, usando os caminhões de sua empresa para os desvios de grãos e articulando o pagamento para os demais integrantes.

Segundo a polícia, o objetivo era usar o crédito para fortalecer a atuação do grupo criminoso. As apurações também apontaram que o empresário pagaria o valor de R$ 500 mil em espécie, como propina, para um contato em Brasília para liberar o valor.

Operador financeiro

A PCMT apontou que, com base nas apreensões, foi revelado que o empresário e sua empresa de transportes eram a conexão financeira entre o aliciador e o operador comercial do grupo criminoso, alvos das fases anteriores da investigação.

Em junho de 2022, o empresário, responsável por seis caminhões-caçamba, que faziam o transporte de cargas desviadas, articulou um esquema para liberação de empréstimo no valor de R$ 5 milhões junto ao BNDES. Os recursos seriam utilizados para ampliar a frota de caminhões utilizados nos crimes de furto e desvio de grãos.

Para conseguir o empréstimo, o empresário se valeria de um contato em Brasília — e pagaria R$ 500 mil, referente a 10% do valor do crédito. O dinheiro seria entregue em mãos ao contato como garantia de que o recurso seria liberado.

Com o avanço das investigações, foi identificado que, na verdade, o empréstimo estava acordado no valor de R$ 15 milhões, e que os R$ 500 mil eram para liberação somente do primeiro saque, no valor de R$ 5 milhões.

Flagrado

Na época dos fatos, a equipe da GCCO, com apoio da Polícia Rodoviária Federal e da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste, conseguiu evitar o esquema e realizar a prisão em flagrante do empresário no momento em que ele transportava os R$ 500 mil em dinheiro, em uma caminhonete Chevrolet S-10, na região de Primavera do Leste.

A parceria entre os integrantes do grupo foi confirmada por meio de diversas movimentações financeiras, que deixavam claro que o investigado atuava como operador financeiro da organização criminosa, entre elas transferências de altos valores para pessoas ligadas aos mentores do grupo criminoso.

Entre as movimentações, estão transferências bancárias com valores entre R$ 43 mil e R$ 210 mil para a esposa e a ex-esposa de um dos investigados.

“As investigações comprovam a parceria espúria entre os investigados e demonstram que tanto o aliciador quanto o operador financeiro da organização criminosa são responsáveis pelos prejuízos milionários causados às vítimas”, disse o delegado responsável pelas investigações, Gustavo Colognesi Belão.

BNDES: empresário tentou empréstimo de R$ 15 mi para ajudar quadrilha - destaque galeria
2 imagens
Trio é encontrado morto com bilhete ao lado: "Não roube na quebrada"
BNDES: empresário tentou empréstimo de R$ 15 mi para ajudar quadrilha - imagem 1
1 de 2

Trio é encontrado morto com bilhete ao lado: "Não roube na quebrada"
2 de 2

Trio é encontrado morto com bilhete ao lado: "Não roube na quebrada"

PCMT/Divulgação

Terceira fase

As investigações que resultaram na Operação Safra 3 se concentraram em apurar furtos e desvios de grãos nas fazendas Guapirama, Sulina, Colorado, Kesoja e Fazenda Feliz, todas localizadas em regiões estratégicas de produção de soja e milho no Mato Grosso.

As apurações revelaram que o grupo criminoso atuava com o aliciamento de funcionários dessas fazendas, como balanceiros, gerentes e operadores de carga, que facilitavam a entrada de caminhões sem qualquer documentação fiscal ou registro oficial.

Com o acesso liberado de forma clandestina, os veículos carregavam grãos diretamente dos silos ou pontos de estocagem, sem levantar suspeitas imediatas dos proprietários.

O modus operandi da organização envolvia uma logística bem estruturada e operada com sofisticação. Os motoristas das cargas furtadas seguiam para uma empresa em Cuiabá, já investigada durante a Operação Safra 2, onde os grãos eram “esquentados” por meio de notas fiscais falsas.

A atuação da organização criminosa envolvia ainda núcleos especializados em falsificação de documentos e movimentação financeira para lavagem de dinheiro.

Por meio de nota, o BNDES informou que o banco não participou da operação. “De toda forma, o BNDES apoia as investigações e está à inteira disposição das autoridades para prestação de todos os esclarecimentos que forem necessários e para colaborar com as investigações.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?