Celular escondido em privada expôs esquema de empresa ligada ao PCC
Informações extraídas do dispositivo revelaram o papel do suspeito no esquema que usou empresa de ônibus para lavar dinheiro da facção

Escondido dentro da caixa de descarga de um vaso sanitário, um celular tornou-se uma das principais provas da investigação que culminou na prisão do vereador Senival Moura (PT) nesta quinta-feira (25/6). Segundo documentos obtidos pela coluna, a perícia realizada no aparelho revelou a existência de uma estrutura financeira paralela que operava dentro da empresa de ônibus Transunião e, de acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, teria sido utilizada para dar suporte econômico a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
À época, os policiais encontraram o aparelho telefônico de Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, submerso no interior da caixa d’água de um vaso sanitário. Na investigação, ele é indicado como “agente dotado de poder de definir a dinâmica financeira da empresa.”
O celular foi submetido a procedimento forense e os dados digitais extraídos culminaram na identificação de conexões diretas e estruturadas que vinculam “Cachorrão” a outros investigados.
“Tal conjunto informativo, ao ser cotejado com dados obtidos por meio de afastamento de sigilo bancário, permite inferir que Jair de Freitas exerce, ainda que sem vinculação ao quadro societário, influência relevante na condução das atividades da empresa Transunião Transportes, atuando em dinâmica compatível com direção de fato ou cogestão informal”, diz o documento ao qual a coluna teve acesso.
Participação de vereador
O vereador da cidade de São Paulo Senival Moura (PT), foi preso na manhã desta quinta (25), apontado pela investigação como principal responsável pela instrumentalização da empresa de transportes.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e 104 mandados de busca e apreensão na capital paulista, na Grande São Paulo, no interior do estado e em Extrema (MG). Entre os presos está também o presidente da Transunião, Lourival de França Monário.
Segundo o documento obtido pela coluna, a conclusão é baseada na análise de comunicações telemáticas e em documentos apreendidos durante as diligências.
“De forma convergente, a análise contextualizada das comunicações telemáticas permite inferir que Senival Pereira de Moura, ao exercer controle fático da gestão empresarial e, sobretudo, sobre a estrutura financeira da companhia, figura como principal responsável pela instrumentalização da Transunião Transportes S.A. para operacionalização desse sistema financeiro clandestino voltado à circulação informal de recursos e ao suporte econômico de indivíduos inseridos na órbita do PCC”.




