Mario Sabino

Trump e Lula: dois minutos de esperança e o fator Milei

Na reunião de Trump com Lula, o sabor mais doce ficou para os petistas e o mais amargo, para os bolsonaristas. Por enquanto

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Augusto Tenório/Metrópoles
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em reunião bilateral na Cúpula da Asean - Metrópoles
1 de 1 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em reunião bilateral na Cúpula da Asean - Metrópoles - Foto: Augusto Tenório/Metrópoles

Houve Donald Trump para todos os gostos, na reunião com Lula, na Indonésia, mas o sabor mais doce ficou para os petistas e o mais amargo, para os bolsonaristas. Por enquanto.

O presidente americano lamentou o processo contra  Jair Bolsonaro, na frente das câmeras e de um presidente brasileiro com risinho constrangido, mas, quando elas foram desligadas, disse que a prisão de Lula foi fruto de “perseguição” e atendeu à solicitação brasileira para que as negociações em torno do tarifaço começassem imediatamente.

Conversa vai, conversa vem, o máximo que o Brasil obteve dos Estados Unidos, em Jacarta, foi a promessa de que a DR continuará.

Sobre o pedido de Lula para que houvesse a suspensão temporária do tarifaço, o que representaria uma enorme vitória para o presidente brasileiro com vista à reeleição, Donald Trump desconversou.

O presidente americano pode suspender o tarifaço até que as negociações cheguem a um termo? Pode. Ele pode não suspender? Também pode.

Vou tomar emprestado o que disse o primeiro-ministro belga, Alexander de Croo, em 2022, durante uma reunião da Otan, a respeito da guerra na Ucrânia: as previsões não estavam durando mais do que três minutos. Hoje, com Donald Trump, elas não vão além de dois em relação a todos os assuntos internacionais.

De qualquer forma, Lula pode cantar de galo até o momento. Ele se reuniu finalmente com o presidente americano; Donald Trump não o humilhou, pelo contrário, até alimentou a narrativa malandra segundo a qual o chefão foi preso injustamente; e o caminho se abriu para que o problema do tarifaço, quem sabe, seja resolvido de alguma forma, apesar da falta de prazo.

Fato auspicioso nessa direção, a questão política foi assunto bastante lateral na conversa, e o presidente brasileiro só cumpriu tabela ao dizer que Jair Bolsonaro não foi vítima de arbitrariedades judiciais. Os ministros do STF que arquem com as suas escolhas.

Lula também se ofereceu para ser mediador entre Estados Unidos e Venezuela. Considerando que Nicolás Maduro lhe deu uma banana ao ir adiante na fraude eleitoral, além das ligações tão históricas quanto perigosas entre o petismo e o chavismo, Donald Trump só comprará a ideia de Lula, o pacificador, se for para desistir de derrubar o ditador venezuelano. Não parece ser o caso nos próximos dois minutos.

Por último, mas não menos relevante, temos o quadro geral no subcontinente, para além do imbróglio da Venezuela: o argentino Javier Milei venceu a eleição no domingo, e o presidente americano teve participação decisiva ao condicionar a ajuda financeira dos Estados Unidos ao triunfo do aliado libertário nas urnas.

O objetivo precípuo de Donald Trump na América Latina é derrotar a esquerda em todos os países do que julga ser o quintal americano. A vitória de Javier Milei talvez o leve a refletir sobre se vale mesmo a pena privilegiar os negócios, facilitando as coisas para Lula, em detrimento da geopolítica como campo de batalha ideológica.

Os próximos dois minutos serão de expectativa, assim como os imediatamente sucessivos, e assim por diante, até que se pule para o próximo tema, sem garantia de que não se voltará ao anterior. Enquanto isso, os petistas se deliciam e os bolsonaristas tentam tirar o travo amargo da boca.

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