
Mario SabinoColunas

Ou o STF solta Vorcaro, ou ele fará delação. Mas vão querer delação?
Assim como ocorria nos tempos da Lava Jato, mas não só, o recado de Vorcaro é dado por meio da imprensa, de maneira fragmentada, elíptica
atualizado
Compartilhar notícia

Macaco velho que sou, leio os jornais com um meio sorriso. É que no jornalismo nada se transforma, tudo se repete. Estou falando da história da delação premiada de Daniel Vorcaro.
Assim como ocorria nos tempos da Lava Jato, mas não só, o recado é dado por meio da imprensa, de maneira fragmentada, elíptica: ou o STF decide soltar o dono do finado Master, no julgamento em plenário virtual que começa nesta sexta-feira, ou o dono do finado Banco Master fará delação premiada.
Os grandes trunfos de Vorcaro são Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que tenta submergir após se declarar suspeito na ação que pedia ao STF que forçasse a abertura da CPI do Master na Câmara.
Como o tempo urge, a ação acaba de ser diligentemente rejeitada por Cristiano Zanin, que sucedeu Toffoli na relatoria.
O dono do finado Master tem outras cartas ótimas: Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Ciro Nogueira. Haverá outras? Muito provavelmente, sim, diante da multiplicidade de tentáculos dessa hidra.
A pressão interna e externa é grande, portanto, para que o STF solte Vorcaro. A Segunda Turma, quero dizer.
Ao que parece, Luiz Fux votará com o relator André Mendonça pela continuidade da prisão preventiva; Gilmar Mendes deverá votar contra; sobra Nunes Marques, a maior incógnita. Se ele votar com Gilmar, o dono do finado Master será solto, visto que o empate favorece o réu.
Nunes Marques como o fiel da balança que pendeu para a libertação de Vorcaro: os petistas terão munição para dizer que foi um ministro indicado por Jair Bolsonaro que libertou o grande vilão nacional.
Qual é a real possibilidade de Vorcaro vir a querer fazer delação se continuar preso?
Ela aumenta bastante, evidentemente, porque o sujeito não admite ficar preso depois de tudo o que fez pelo Brasil. Mas dificilmente haverá delação com os advogados que o assistem neste momento: há, entre eles, os mais amigos de Toffoli e os mais amigos de Moraes.
Abro parêntese: os advogados de Vorcaro nunca foram unidos, mas as rachaduras aumentaram desde que o cliente foi preso, a julgar por um movimento recente feito pela ala mais amiga de Moraes. Fecho parêntese.
É claro que não basta o dono do finado Master querer fazer delação. É preciso combinar com o outro lado.
Qual será o outro lado: a PF ou a PGR? Noticia-se que Vorcaro ofereceu-se a ambas.
A PF, na qual ministros do STF querem interferir, é a verdadeira dona do inquérito e, assim, a delação teria de ser negociada com ela. Os termos seriam duros. Há quem acredite que, diante do material já coletado e do que ainda virá a ser extraído dos celulares do moço, uma delação não acrescentaria muita coisa.
Já se a PGR de Paulo Gonet entrar na linha, haveria muito controle de constitucionalidade, se é que o leitor me entende.
Rezemos — ou melhor, oremos — para que o ministro André Mendonça, a quem cabem as palavras finais na condução do processo, continue no bom caminho. O caminho do Leão de Judá.