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Mario Sabino

O STF virou uma carcaça; só se espere mais putrefação

O autoritarismo, o patrimonialismo e a corrupção, inclusive dos modos, mataram o STF tal como o conhecíamos antes do inquérito das fake news

09/09/2026 11:05, atualizado 09/09/2026 11:10
O STF virou uma carcaça; só se espere mais putrefação
Edson Fachin, presidente do STF, no plenário do tribunal -- Metrópoles

Flávio Dino, que trata o Maranhão como se fosse capitania hereditária, resolveu dar a sua colaboração ao caos que reina no STF desde que a prioridade de boa parte dos ministros se tornou salvar a pele de Alexandre de Moraes.

Com a sua decisão de hoje, escrita com a pena da arrogância, de reintegrar Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF, o ministro afrontou a maioria colegiada da Segunda Turma e também o presidente do STF, Edson Fachin, responsável pelo julgamento do recurso da Advocacia-Geral da União contra a determinação de André Mendonça.

Decisão tomada sob o pretexto risível de evitar “danos irreparáveis” a processos, Flávio Dino tenta lançar uma sombra de suspeição sobre o colega, agora inimigo, requentando a história do encontro que André Mendonça teve com Daniel Vorcaro, quando o fraudador se passava por banqueiro, na sede do instituto do qual o ministro era sócio.

Estamos no terreno das equivalências desonestas, onde Flávio Dino manobra o seu trator como ninguém, certamente para os aplausos e também para as gargalhadas, como as fotografadas recentemente na saída do Supremo, dos companheiros de luta pela democracia em causas próprias, das quais a  mais urgente, repita-se, é a de Alexandre de Moraes, que  não admite ver investigada a relação promíscua que mantinha com o perpetrador da maior fraude financeira da história do país.

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Só os ingênuos nutrem ilusões que já deveriam estar perdidas. O autoritarismo, o patrimonialismo e a corrupção, inclusive dos modos e dos costumes, mataram o STF tal como o conhecíamos antes da abertura do inquérito das fake news, marco inicial da putrefação do tribunal.

Sete anos depois, o que existe é uma carcaça imersa no caos, que provoca engulhos cada vez que somos obrigados a passar perto dela. Só se espere mais decomposição.