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Mario Sabino

O diretor da PF culpa os americanos, mas deveria culpar si próprio

O diretor-geral da PF quer fazer crer que as sanções americanas aos elos do PCC causaram “prejuízo" à operação de hoje. Sei

03/07/2026 16:46, atualizado 03/07/2026 17:08
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF -- Metrópoles

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, quer fazer crer que o fato de os Estados Unidos terem designado o PCC como grupo terrorista e as consequentes sanções aplicadas ao elos da facção causaram “prejuízo à investigação” que desencadeou a operação de hoje, comprometendo a localização do principal alvo, o suposto empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada.

Em entrevista coletiva, Andrei Rodrigues disse o seguinte:

“Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação (da operação). Mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa (Shimada), mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação.”

Hum.

Sabe-se, agora, que Shimada e o seu pessoal  envolvido com lavagem de dinheiro proveniente de tráfico internacional de drogas movimentaram mais de R$ 10 bilhões.

Quando o esquema começou a ser desvendado? Em 2023, graças ao trabalho da Homeland Security Investigations americana (pois é). Durante uma fiscalização no aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, agentes seus detiveram um brasileiro, Ygor Fokin Saviolli, e encontram no celular dele fotos e mensagens e suspeitas. As informações foram transmitidas às autoridades daqui.

Ygor Foki Saviolli chefiava a lavagem grandiosa juntamente com Shimada.

De lá para cá, o que aconteceu? Shimada foi preso em 2024 e condenado em 2025. Mas, no Brasil dos habeas corpus, ele foi solto e continuou operando para o PCC e para toda a sorte de meliantes — entre eles, o Careca do INSS. Quer dizer, alguns dos nossos bravos rapazes ainda se recusam a aceitar a ideia de que há PCC nessa história.

Para Andrei Rodrigues, no entanto, a culpa por Shimada encontrar-se foragido deve ser atribuída aos americanos, que resolveram sancioná-lo e também os seus asseclas sem avisar o Brasil.

Como sou sujeito simplório, acho que a responsabilidade é mesmo dos brasileiros — que (obrigado, Estado Unidos) sabiam do esquema desde 2023, soltaram o condenado em 2025 e não se preocuparam em monitorá-lo desde que ele ganhou liberdade.

O diretor-geral da PF culpa os americanos, mas deveria culpar si próprio e o laxismo da Justiça nacional com bandidos de verdade.