"Prejuízo à investigação”, diz diretor da PF sobre sanção dos EUA
Segundo Andrei Rodrigues, a Operação Exchange deflagrada nesta sexta-feira (3/7) foi antecipada por conta da sanção dos EUA

A sanção imposta pelos Estados Unidos ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada levou a Polícia Federal (PF) a antecipar a deflagração da Operação Exchange, realizada nesta sexta-feira (3/7). Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a mudança no cronograma prejudicou a investigação e comprometeu a tentativa de localizar o principal alvo da ação.
Em entrevista coletiva realizada na sede da PF, em Brasília (DF), Andrei afirmou que a divulgação da sanção pela imprensa, na quarta-feira (2/7), obrigou a corporação a antecipar a operação.
“Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação”, declarou.
De acordo com o diretor-geral, a representação policial e a decisão judicial que fundamentaram a Operação Exchange são anteriores ao decreto do governo dos EUA que classificou duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
“Já estavam em curso. Tem uma investigação nos Estados Unidos que também já estava em andamento, assim como essa nossa da PF. Em razão da publicação, tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje”, afirmou.
Segundo o diretor de investigação e combate ao crime organizado, Dennis Cali, a PF ainda realizava diligências operacionais para confirmar informações e localizar o alvo quando a sanção foi divulgada.
Shimada não foi localizado durante a ação desta sexta-feira e é considerado foragido da Justiça. Outras seis pessoas foram presas na operação, entre elas Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada pelos Estados Unidos.
Alvo
Segundo Andrei, Victor Henrique de Oliveira Shimada já havia sido preso preventivamente pela PF em uma operação iniciada em 2024 e foi condenado em 2025 em decorrência dessa investigação.
O diretor ressaltou que o caso não tem relação com a posterior classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
“Este cidadão citado já foi preso pela PF preventivamente em uma operação iniciada em 2024, e foi condenado em 2025 fruto dessa operação. Esse caso concreto não guarda relação com qualquer atribuição que fizeram ao sujeito de facção. Inclusive, a representação que fizemos na Justiça Federal foi protocolada antes sequer de ser atribuída essa classificação às facções. Então não tem relação nenhuma com a sanção, o que há é o processo.”
Ainda conforme o diretor-geral, Shimada atuava como operador financeiro e movimentava recursos nos Estados Unidos.




