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Farra no inssManoela Alcântara

PF diz que Careca do INSS era chamado de "senza capelli"

PF afirma que investigados usavam uma expressão em italiano para se referir ao Careca do INSS

14/07/2026 19:45, atualizado 14/07/2026 20:41
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Careca do INSS em depoimento à CPMI

A Polícia Federal (PF), ao indiciar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e outras 47 pessoas, afirmou ter encontrado mensagens extraídas de aparelhos apreendidos que mostram o uso de codinomes e linguagem cifrada entre os investigados.

Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirma que o então presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, chamava Antônio Camilo de “motoqueiro” e “senza capelli”.

A expressão, em italiano, significa “sem cabelo” ou “careca”.

Stefanutto, ao lado do advogado Gilmar Stelo, também indiciado pela PF, tratava outros investigados por codinomes, segundo os investigadores.

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O ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Filho, era chamado de “malvado” nas trocas de mensagens, enquanto Carlos Roberto Ferreira Lopes, ex-presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), era identificado como “painho” e “funai”. O dirigente está foragido.

Segundo a PF, os codinomes eram utilizados para ocultar os reais assuntos e as pessoas envolvidas nas tratativas relacionadas às fraudes no INSS, esquema revelado pelo Metrópoles.

Indiciamento

O relatório da PF que indicia os 48 suspeitos de fazerem parte da fraude do INSS detalha a investigação sobre organização criminosa que realizou fraudes massivas contra aposentados e pensionistas.

Segundo a PF, o esquema era liderado pelo presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que usava acordos de cooperação para aplicar descontos associativos indevidos em centenas de milhares de benefícios.

Os documentos revelam que mais de R$ 708 milhões desviados e lavados por meio de empresas de fachada vinculadas a operadores financeiros. A manutenção da fraude era garantida pela corrupção de agentes públicos de alto escalão, que recebiam propinas para paralisar fiscalizações. As vítimas, em sua maioria idosos e indígenas vulneráveis, raramente percebiam as cobranças ilegais em seus extratos.