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Manoela Alcântara

PF diz que aliado pagou R$ 10,5 mil por caviar comprado por Cláudio Castro

Ex-governador negociou compra e recebeu chave Pix da loja, mas comprovante enviado mostra pagamento feito por empresa ligada a aliado

03/09/2026 19:27, atualizado 03/09/2026 19:48
Vinícius Schmidt/Metrópoles
cláudio castro

A Polícia Federal (PF) identificou que uma empresa do advogado Antônio Carlos da Conceição Santos, o “Pipo”, pagou uma compra de R$ 10,5 mil em caviar feita pelo ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

As informações constam em um documento entregue pela PF ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Sem Refino, deflagrada no mês passado.

A investigação apura a atuação de agentes públicos em benefício da Refinaria de Manguinhos, a Refit.

Segundo a PF, Castro negociou diretamente a compra com a Caviar Giaveri, localizada em São Paulo, em 24 de abril deste ano.

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As mensagens mostram que o ex-governador escolheu diferentes tipos e quantidades de caviar e pediu que parte da encomenda fosse entregue no Hotel Emiliano, em São Paulo, onde estava hospedado.

“Henrico tudo bem? Cláudio Castro aqui”, escreveu o ex-chefe do Palácio Guanabara. “Boa tarde Claudio. Tudo ótimo aqui”, respondeu o contato.

“Tô em SP. Vc poderia me mandar a tabela do caviar?”, escreveu Castro. Logo em seguida, o contato enviou uma lista com sete tipos de caviar. Os preços, segundo o atendente, variavam de R$ 155 a R$ 3,3 mil.

“Vc consegue me entregar no Emiliano? Estou hj e amanhã…. Volto pro RJ amanhã”, escreveu Castro. “Se desse compraria um pra consumir hj e tb para levar. Mas dependo de vc conseguir”, prosseguiu o ex-governador.

O contato, então, perguntou a Castro o que ele precisaria para providenciar uma entrega rápida por motoboy. “Pra hj imperial de 100g e um kit. Pra levar”, respondeu o ex-governador.

Logo em seguida, Castro ligou para o contato da loja. Após a ligação, recebeu uma planilha com os valores dos produtos escolhidos.

Após receber a chave Pix e as informações para o pagamento, Castro enviou o comprovante da transferência. Segundo a PF, porém, o dinheiro não saiu de uma conta do ex-governador, mas da empresa AC Santos Participações e Empreendimentos.

A partir dos dados da transferência, os investigadores constataram que o CNPJ da empresa é ligado a Pipo. O advogado também foi alvo da PF no início do mês passado, assim como Castro.

A PF afirma que o episódio indica a utilização da estrutura empresarial de Pipo para pagar uma despesa particular de Castro.

“O episódio revela-se relevante porque evidencia, de forma objetiva, a utilização de recursos ou de estrutura empresarial associada a Pipo para quitação de despesa de natureza privada relacionada ao então governador”, registraram os investigadores.