Sem Refino: entenda operação que mira Cláudio Castro e ex-secretários
A ação policial deflagrada nesta sexta-feira (14/8) é desdobramento da primeira fase da operação, deflagrada em maio deste ano

A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (14/8), que tem entre os alvos o ex-governador Cláudio Castro (foto em destaque), apura suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
Policiais federais estão em um endereço em Petrópolis (RJ) ligado a Cláudio Castro. Por isso, o ex-governador é considerado alvo na nova fase da operação. O Metrópoles apurou que Castro teria contribuído para a manutenção do esquema ligado à refit e utilizado mecanismos de ocultação e lavagem patrimonial.
Carlo Luchione, advogado de Cláudio Castro, informa desconhecer que seu cliente tenha sido alvo da operação. Segundo ele, não houve busca em nenhum endereço vinculado ao ex-governador. “Quanto à casa de Petrópolis, o imóvel era alugado e o contrato de locação foi encerrado há meses, tão logo ele saiu do governo”.
As suspeitas envolvem gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica relacionados à comercialização de combustíveis.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroA primeira fase da operação foi deflagrada em 15 de maio deste ano. Na ocasião, foram alvo o desembargador Guaraci de Campos Vianna, integrante da 6ª Câmara de Direito Privado do TJRJ, e o ex-governador Cláudio Castro (PL).
À época, foram apreendidos um arsenal de armas e cerca de R$ 1,1 milhão em euros e dólares.
O nome de Guaraci Vianna já havia surgido anteriormente nas investigações. Em março deste ano, a Corregedoria Nacional de Justiça determinou o afastamento imediato do desembargador após suspeitas de decisões consideradas excessivamente favoráveis ao grupo Refit.
Segundo os investigadores, as decisões judiciais beneficiavam diretamente a Refinaria de Manguinhos em disputas envolvendo o funcionamento da empresa e cobranças tributárias bilionárias.
O Grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores tributários do país, acumulando dívidas superiores a R$ 26 bilhões.
Ainda na primeira fase, a Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. Por fim, o nome de Ricardo Magro passou a figurar na Difusão Vermelha da Interpol.
Nesta fase, os alvos são:
- Ana Carolina Miranda (empresária);
- Antonio Carlos Santos, o Pipo, advogado;
- Bernardo Rossi, ex-secretário estadual de Ambiente e ex-deputado estadual;
- Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro;
- José Mauro Junior, ex-secretário estadual de Transformação Digital;
- Luiz Fernando Gomes, empresário da construção civil;
- Mauricio Leite (empresário).





