
Manoela AlcântaraColunas

Master: Fachin diz que investigações vão até o fim, “doa a quem doer”
Presidente do STF, Edson Fachin afirmou que “nada ficará debaixo do tapete” em suposta ligação de ministros da Corte com Daniel Vorcaro
atualizado
Compartilhar notícia

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, avisou nos bastidores da Corte que não vai baixar a guarda na investigação que apura a ligação de ministros com o caso do Banco Master. O magistrado afirmou que pretende analisar o processo até o fim, “doa a quem doer”, para preservar a imagem da própria instituição.
Fachin se reuniu com o relator do caso, ministro André Mendonça, na noite de segunda-feira (9/3), para tratar das menções aos integrantes do STF nos dados extraídos do celular do banqueiro: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Em encontro com integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e das outras 27 seccionais da entidade, Fachin também indicou que pretende apurar o caso até o fim. Ele disse que “nada será colocado debaixo do tapete” no que se trata da investigação.
Entenda
- Alexandre de Moraes — a investigação aponta suposta troca de mensagem entre o magistrado e Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez. Também chamou a atenção um contrato da mulher do ministro, Viviane Barci, com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões.
- Dias Toffoli — família do ministro é sócia da Maridt, companhia que era dona de 33% do resort Tayayá – parte que foi vendida para fundos de investimentos do pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. O magistrado deixou a relatoria do caso no STF dia 12 de fevereiro.
Código de conduta
O presidente do Supremo também voltou a defender a criação do código de conduta, um conjunto de normas que dizem respeito à ética dos magistrados dos tribunais superiores. Fachin pretende fazer apresentação pública do documento.
O código, inclusive, é um dos motivos pelo qual o magistrado se colocou a favor da saída de Toffoli do caso.
O presidente do Supremo tenta conter a crise e restabelecer a confiança da opinião pública em relação à Corte. Na abertura do ano Judiciário, ele fez discurso enfático em defesa de uma “autocorreção” do Supremo, admitindo que o tribunal precisava retornar ao equilíbrio institucional.
O tema divide o tribunal. O ministro Alexandre de Moraes disse, em sessão plenária, que a magistratura tem inúmeras restrições legais e negou que juízes julguem processos com vínculos pessoais. Segundo ele, não há uma carreira pública com tantas vedações quanto o magistrado.
Toffoli partilhou do mesmo entendimento e, ao falar contra a criação de um código de conduta no STF, defendeu a participação de magistrados em empresas.
O decano Gilmar Mendes afirmou que não se opõe, mas que também não vê necessidade na criação dessas diretrizes.










