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Manoela Alcântara

Buzzi esconde o rosto ao chegar ao STJ para depor sobre assédio sexual

O ministro Marco Buzzi presta depoimento à comissão de sindicância aberta no STJ a fim de apurar denúncias contra ele de importunação sexual

, 15/06/2026 17:26, atualizado 15/06/2026 18:25
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Ministro afastado do STJ Marco Buzzi chega ao tribunal para oitiva em processo disciplinar sobre acusações de importunação sexual Metropoles

O ministro afastado Marco Buzzi escondeu o rosto ao chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para prestar depoimento à comissão de sindicância aberta na Corte a fim de apurar denúncias contra ele de importunação sexual. A oitiva começou por volta de 17h20, desta segunda-feira (15/6).

Até o momento, a comissão colheu cerca de 20 depoimentos. Entre eles, os de integrantes de acusação e da defesa. 

Buzzi está afastado do STJ desde 10 de fevereiro e é investigado após ser acusado por uma jovem de 18 anos. Depois da primeira denúncia, uma servidora afirmou ser vítima de crime sexual cometido pelo ministro. Ele também é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e de investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

No STJ, o ministro chegou acompanhado de advogados e estava tranquilo. Porém, ao passar de carro por jornalistas, optou em esconder o rosto com papéis. Uma mão feminina o auxilia para que ele não seja fotografado.

Comissão

No STJ, além dos ministros que atuam na comissão, uma desembargadora federal trabalha no caso e participa da coleta dos depoimentos, que vão subsidiar o posicionamento dos ministros após o fim da investigação.

Buzzi, após o afastamento pelas acusações de importunação sexual, teve “penduricalhos” cortados em seu contracheque referente ao mês de abril. A remuneração líquida do magistrado passou de mais de R$ 100 mil, nos meses anteriores, para R$ 35 mil.

Em nota encaminhada à coluna, a defesa do ministro afirmou que as provas produzidas durante a instrução processual corroboram sua inocência e afastam as acusações analisadas pelo CNJ. O depoimento desta segunda trará ainda a versão do ministro sobre os fatos.

“Em relação às alegações envolvendo o ambiente de trabalho, a defesa sustenta que a apuração demonstrou não haver condições para que o ministro e uma servidora permanecessem sozinhos no gabinete nas circunstâncias descritas na denúncia. Ainda de acordo com os advogados, as testemunhas ouvidas afirmaram não ter presenciado episódios de assédio ou comportamento inadequado”, diz a defesa.

Acusação de assédio

Em janeiro deste ano, o ministro Marco Buzzi, 68 anos, foi acusado de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos, que passou as férias de janeiro hospedada na casa do magistrado, em Balneário Camboriú (SC). O caso foi divulgado pelo Metrópoles, na coluna Grande Angular.

A vítima é filha de um casal de amigos do ministro. Segundo depoimento da vítima, no dia 9 de janeiro, eles se encontravam na praia e, em determinado momento, a jovem foi tomar um banho de mar. Buzzi também estava dentro da água. Segundo relatos da jovem, que entrou em estado de desespero, o ministro, que estaria visivelmente excitado, tentou agarrá-la três vezes. O ministro nega.

A defesa do ministro Marco Buzzi ressaltou que “a instrução processual evidenciará a inocência do magistrado ao fragilizar as acusações unilaterais apresentadas. Reitera, ainda, que o depoimento da suposta vítima necessita ser corroborado por provas consistentes, em respeito ao devido processo legal e à busca da verdade dos fatos”.