Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Manoela Alcântara

Bolsonaro disse à PCDF: “Tenho 3 mulheres em casa e não posso ficar desarmado”

Bolsonaro prestou depoimento à PCDF sobre uma arma dele, apreendida em Brasília. Moraes mandou PGR se manifestar em 48 horas

24/06/2026 11:35, atualizado 24/06/2026 12:26
Compartilhar notícia
Divulgação
Jair Bolsonaro em pôster de documentário - Metrópoles

Uma fala do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à Polícia Civil do DF foi ressaltada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao conceder 48 horas para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre eventual cometimento de falta grave no caso de arma apreendida pela Polícia Militar do DF.

Durante oitiva realizada nessa terça-feira (23/6), o ex-presidente admitiu tanto a propriedade da arma de fogo apreendida quanto a posse em sua residência durante o cumprimento da prisão domiciliar humanitária. Segundo consta em despacho de Moraes, desta quarta-feira (24/6), Bolsonaro afirmou que tinha três mulheres em casa e não podia ficar desarmado.

Moraes considerou que, nos termos do art. 50, III, da Lei de Execução Penal, Bolsonaro comete falta grave ao “possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem”. Assim, pediu que a PGR se manifeste.

A apreensão da arma ocorreu pela PMDF após abordar um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma blitz no Distrito Federal. O Metrópoles apurou que o depoimento durou apenas 5 minutos. Em despacho, o ministro considerou que, de acordo com a lei, falta grave por levar à cessação da prisão domiciliar.


Entenda o caso

  • A arma foi apreendida em 15 de junho por policiais militares, no Pistão Norte, em Taguatinga.
  • O armamento estava em posse de um sargento do Exército Brasileiro, identificado como Estácio Leite da Silva Filho, ligado ao GSI.
  • Em depoimento, o policial militar responsável pela abordagem relatou que o integrante do GSI afirmou trabalhar para Bolsonaro e, após ser questionado pelos agentes, informou que a pistola pertencia ao ex-presidente.
  • Segundo o agente, a arma foi entregue a ele, em 15 de junho, para verificação de uma falha mecânica. A intenção, ainda de acordo com o depoimento, era concluir o serviço e devolver o armamento no dia 16.
  • Diante do caso, a PCDF instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da posse e da circulação da arma e comunicou a abertura da investigação ao ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária após ser condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O prazo de 90 dias da prisão em casa por motivos de saúde acaba nesta quinta-feira (25/6). 

O que diz a defesa de Jair Bolsonaro

Em manifestação apresentada ao STF, a defesa de Jair Bolsonaro afirmou ter entregado a arma ao agente após constatar uma falha mecânica no armamento.

Segundo a defesa, a pistola estava sem condições de uso, porque integrantes da equipe de segurança haviam retirado o percussor da arma sem o conhecimento do ex-presidente.

Os advogados ressaltaram que Bolsonaro manipulou a arma e viu que não estava funcionando. Por isso, pediu que um dos agentes que atuam em sua segurança pessoal levassem a arma para consertar. Os defensores ainda apresentaram ao Supremo um certificado que autoriza o ex-presidente a ter a pistola.