
Manoela AlcântaraColunas

Advogado diz que Deolane foi humilhada na frente da filha. Assista vídeo
Apesar dos argumentos da defesa, ministros da Quinta Turma mantiveram a prisão preventiva da influenciadora
atualizado
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O advogado Aury Lopes Jr., que representa Deolane Bezerra, afirmou durante o julgamento do habeas corpus que a influenciadora foi humilhada diante da filha durante a operação policial que resultou na prisão.
Segundo a defesa, durante julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a prisão teve caráter midiático e transformou Deolane em um “troféu” para os investigadores.
“Trata-se de uma mãe, advogada, com uma filha menor de 12 anos que depende exclusivamente dela. Não é um crime de violência ou grave ameaça”, afirmou.
Lopes sustentou ainda que Deolane foi investigada por quatro anos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público sem jamais ter sido chamada para prestar esclarecimentos.
“A paciente foi investigada ao longo de quatro anos pela polícia e pelo Ministério Público. Ela não foi chamada nenhuma vez para prestar esclarecimentos. Nada disso aconteceu porque não se buscava apurar os fatos”, disse.
Para o advogado, a prisão teve como objetivo expor a imagem da influenciadora.
“É uma paciente advogada, empresária, primária, que é presa em casa, com emprego de fuzil e armamento pesado, na frente da filha. Não se humilha uma mãe dessa forma. Foi uma prisão midiática. O que estava sendo preso era um personagem”, afirmou.
Ao final, o advogado pediu que a prisão preventiva fosse substituída por medidas cautelares diversas. Os ministros da Quinta Turma, no entanto, não conheceram do recurso e mantiveram a prisão preventiva.
Para o colegiado, não cabe agravo regimental contra decisão que nega seguimento a habeas corpus.
Investigações
Segundo a investigação, Deolane exercia papel relevante ao conferir uma camada de aparente legalidade a recursos ilícitos atribuídos ao PCC.
A projeção pública da influenciadora, suas atividades empresariais formais e a movimentação de seu patrimônio teriam sido utilizadas para ocultar e dissimular a origem criminosa dos valores, dificultando a identificação de vínculos com a facção.
De acordo com os investigadores, Deolane mantinha vínculos pessoais e negociais com um dos supostos “gestores-fantasmas” de uma transportadora de Presidente Venceslau (SP), empresa apontada em operação anterior como braço financeiro do PCC.
As autoridades também destacaram que a influenciadora passou a ocupar posição central nas apurações em razão de movimentações financeiras consideradas expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de ligação com integrantes da cúpula da organização criminosa.
Após pedido da Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público paulista, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos — incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e de quatro imóveis vinculados aos investigados. Também foram decretadas seis prisões preventivas.









