Lucas Pasin

Ex-produtor da Globo detona William Bonner: “Não consegui perdoá-lo”

Ex-chefe de produção da Globo relata tensão com William Bonner em reunião e critica conduta do jornalista na redação

atualizado

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1 de 1 William Bonner - Foto: Globo/João Cotta

O ex-chefe de produção da TV Globo, Fabrício Marta, voltou a expor bastidores da emissora após tornar pública sua saída no início do ano. Promovido em janeiro, ele deixou o cargo pouco tempo depois, em uma movimentação que gerou questionamentos internos e repercussão entre profissionais do jornalismo da casa.

Desde então, Fabrício tem usado as redes sociais para relatar episódios vividos na redação da Globo, no Rio de Janeiro. Desta vez, o alvo foi o ex-apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, com quem trabalhou diretamente durante sua passagem pela emissora.

Ao relembrar um episódio envolvendo decisões editoriais e participação de profissionais de afiliadas, ele citou uma reunião do principal telejornal da Globo. Segundo ele, Bonner teria questionado a presença de uma jornalista do Norte do país, levantando o tom diante de outro chefe da redação.

“William Bonner, nunca vou me esquecer do dia em você foi tomar satisfação, com outro chefe, dizendo exatamente assim: ‘por que, diabos, o Fabricio está enfiando essa mulher de afiliada no Norte, numa reunião do Jornal Nacional?'”, afirmou.

Em outro momento, o ex-chefe de produção ampliou as críticas ao comportamento do apresentador nos bastidores. Ele disse nunca ter presenciado Bonner sendo confrontado na redação e questionou a forma como, segundo ele, o jornalista tratava colegas de trabalho, mencionando aspectos pessoais ao fazer a crítica.

“Bonner, eu nunca presenciei você ser humilhado na redação. Por que você age assim? Você é casado, tem duas filhas… Gostaria que elas fossem submetidas a esse tipo de tratamento doentio, machista, criminoso?! Ainda há tempo de você cuidar da sua saúde mental e da condição humana a que se refere o outro. Eu, humano que sou, ainda não consegui perdoá-lo por tamanho asco. E nem sei se vai entrar na lista”, declarou.

Fabrício também detalhou o contexto envolvendo a participação da profissional mencionada anteriormente. De acordo com ele, a jornalista da afiliada Rede Amazônica havia sido convidada pela atual editora-chefe do telejornal, Cristiana Sousa Cruz, o que, segundo seu relato, contrastaria com a reação de Bonner.

“A profissional da Rede Amazônica fora convidada pela sua então nova chefe, Cristiana Sousa Cruz [editora-chefe do JN], que anda de mãos dadas com a polidez. Você, talvez ainda não saiba o que seja isso. Você é doente, mas como não tem amigos, ninguém nunca o dirá isso”, disse.

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A decisão de Fabríico Marta foi formalizada em uma carta publicada pelo próprio jornalista nas redes sociais, com data de 3 de março de 2026. No documento, escrito à mão, ele afirma: “Eu, Fabricio Prado Marta, brasileiro, jornalista, divorciado, venho por meio desta, solicitar o meu desligamento do Grupo Globo a partir da presente data”.

O pedido de demissão aconteceu durante o período de Carnaval, após Fabrício passar mal e ser internado. Nas redes sociais, Fabrício tratou de colocar a versão dele na roda.

Ele revelou que o pedido de demissão foi feito ainda do hospital, por mensagem aos chefes, e garantiu que a decisão não teve relação com os infartos. Segundo o jornalista, a saída veio após discordâncias internas que deixaram de fazer sentido com sua trajetória.

Fabrício afirmou que sua passagem pela Globo foi encerrada após decisões que considera equivocadas e reforçou que não compactua com atitudes que julga incoerentes.

“Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência. (…) O pedido foi feito aos meus chefes [por WhatsApp] ainda no hospital e não está atrelado aos infartos, mas a conjunturas internas que não ornavam mais com quem eu sou. Minha missão, na Globo, foi encerrada por escolhas mal dimensionadas”, revelou.

Bastidores expostos

Depois disso, o ex-Globo passou a expor problemas nos bastidores da emissora, citando decisões editoriais questionadas e redução no pagamento de horas extras. Fabrício descreveu o que chamou de “alívio” após a saída, citando o fim de grupos de WhatsApp, excesso de e-mails e reuniões sem resultado.

Ele também mencionou falhas de comunicação, ligações sem objetivo e problemas de convivência no ambiente de trabalho. Segundo ele, deixar esse cenário para trás representou, nas palavras dele, um reencontro com a própria paz.

“Menos sustos por falta de comunicação; menos mal humor de gente amarga; menos de dezenas de ligações non sense; menos energia de gente incompetente; menos ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’ cuspidos no lixo; zero fogueiras de egos e vaidades. Menos muitos plantões antecipados. Tudo isso menos tudo isso é paz”, escreveu.

Recado indigesto

Em outro relato, Fabrício afirmou que foi encarregado de comunicar o corte imediato de horas extras de produtores, decisão que, segundo ele, já vinha da antiga direção de Jornalismo. Ele contou que precisou repassar a mudança diretamente à equipe, incluindo casos de profissionais que dependiam desse valor para despesas pessoais, como estudos na família.

O jornalista também questionou a ausência de um comunicado formal e criticou a condução da medida, apontando falta de critério na avaliação individual dos casos e problemas na forma como decisões internas eram executadas.

“Esse mal ajambrado foi lavrado e validado pela antiga direção regional de Jornalismo, mas coube a mim (o então secretário de luxo), anunciar a nova condição salarial da garotada. (…) Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem!”, disparou.

Debate sobre diversidade

Fabrício resgatou ainda o programa de estágio da Globo para criticar mudanças recentes no recrutamento da emissora. Segundo ele, o modelo anterior buscava talentos de diferentes origens e ajudou a formar profissionais que chegaram a cargos de chefia.

O jornalista afirmou que a nova parceria com a PUC-Rio para seleção de estagiários reduz a diversidade do processo, ao limitar o acesso de candidatos de outras regiões e realidades, e questionou o impacto dessa mudança no perfil dos novos profissionais.

“O Estagiar cansou de pescar estagiários na PUC, porque eram tão maravilhosos quanto os cotistas da Uerj, UFRJ, UFF, UFRRJ e por aí vai. Os tempos mudam, mas não há nota em pingo d’água. Sabe aquela tal diversidade? Pois é!”, escreveu.

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