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USP autoriza virologista do gabinete paralelo a morar 2 anos no Canadá

Decisão foi tomada nesta quarta, após Paolo Zanotto pedir afastamento remunerado para lecionar no British Columbia Institute of Technology

atualizado 09/06/2021 20:03

Paolo ZanottoReprodução

A diretoria do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) informou que o pedido de afastamento remunerado solicitado pelo virologista Paolo Marinho de Andrade Zanotto para atuar como professor visitante no British Columbia Institute of Technology (BCIT), no Canadá, foi aprovado pela maioria dos membros do Conselho Técnico-Administrativo (CTA). A reunião foi realizada nesta quarta-feira (9/6). O caso foi antecipado pela coluna Janela Indiscreta.

O biólogo, com mestrado e doutorado em virologia, virou alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 após aparecer em vídeo revelado pelo Metrópoles sobre a existência de um “ministério paralelo”, criado para orientar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a gestão da pandemia no país. Com a autorização, o especialista pode deixar o país a partir do dia 1º de agosto.

De acordo com o instituto, prevaleceram aspectos legais e técnicos. “O afastamento, sem prejuízo dos vencimentos, está amparado pelo inciso IV, do artigo 40, do Estatuto do Docente da USP (Resolução USP 7.271). O prazo do afastamento também está dentro do permitido, ou seja, máximo de dois anos (Artigo 41), não haverá contrapartida financeira por parte da instituição anfitriã (Artigo 42) e toda a documentação está em conformidade ao exigido (Artigo 43)”, registrou.

Na nota encaminhada à coluna, a universidade afirmou que o requisitante também assinará termo de compromisso para obrigá-lo a permanecer na instituição estadual, após seu retorno, “por prazo não inferior ao do afastamento”.

“A solicitação está em consonância com o projeto acadêmico do requerente, uma vez que se refere a atividade de pesquisa e educação. No período de sua ausência, outro docente assumirá suas atividades no ICB-USP. Por fim, destaca-se que, até a presente data, o prof. Paolo Zanotto exerceu todas as atividades profissionais exigidas de um docente, não havendo qualquer impedimento legal ou técnico que justificasse a negação do pedido”, reforçou.

Previsto para ser analisado nesta quarta-feira, o requerimento para a convocação do virologista teve a votação adiada. A autoria é do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid.

Veja a solicitação:

“Shadow board”

No vídeo, como mostraram os repórteres Sam Pancher e Lourenço Flores, do Metrópoles, Paolo Zanotto pediu a Jair Bolsonaro criação de um “shadow board”, uma espécie de gabinete paralelo ou “grupo das sombras” contra a pandemia.

Em seu discurso gravado, Zanotto solicitou que Bolsonaro tomasse “extremo cuidado” com as vacinas contra a Covid. Naquela época, o Ministério da Saúde já ignorava e-mails da Pfizer com ofertas de imunizantes.

Além disso, Zanotto já atacou o comando da CPI da Covid e teve um post marcado como fake news pelo Facebook, conforme revelou o colunista Guilherme Amado.

Veja o pedido de convocação:

 

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