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Ilca Maria Estevão

Justiça proíbe reaproveitamento de peças da Chanel; entenda o caso

Decisão impacta no futuro do upcycling de luxo, levantando questões sobre propriedade intelectual das grandes marcas e sustentabilidade

Justiça proíbe reaproveitamento de peças da Chanel; entenda o caso
Justiça proíbe reaproveitamento de peças da Chanel; entenda o caso

O mercado da moda enfrenta um impasse ecológico após o Tribunal de Paris dar ganho de causa à Chanel contra a Kamad Reworked, acusada de comercializar sem autorização peças de upcycling que continham o icônico monograma da grife. A decisão da Justiça europeia fecha o cerco contra pequenos artesãos que transformam resíduos de luxo em novas peças, ao mesmo tempo em que grandes etiquetas promovem metas sustentáveis em seus relatórios anuais.

Vem entender!

foto com cor. fachada da chanel em milão - metrópoles
Fachada da Chanel

A linha tênue da propriedade

Em maio deste ano, a Chanel obteve uma decisão favorável na disputa judicial contra a empresa norte-americana Kamad Reworked, comandada por Kelly Kamada. A grife francesa alegou que a marca comercializava joias produzidas a partir de botões autênticos da Chanel, adquiridos legalmente no mercado de revenda, mas que exibiam o famoso monograma “CC” sem autorização para esse novo uso.

Na imagem com cor, foto de modelo no desfile da Chanel - metrópoles
“CC” da Chanel

O centro do debate jurídico vai além das peças em si. De um lado, está o argumento de que materiais comprados de forma legítima podem ser reaproveitados e transformados em novos produtos, prática comum no universo do upcycling. Do outro, está o direito da Chanel de controlar o uso de sua identidade visual e de seus símbolos registrados, sustentando que a presença do monograma em itens modificados pode induzir consumidores a acreditar que eles foram produzidos, aprovados ou comercializados pela própria maison.

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Botões Chanel
Bolsa de matelassê
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Look vintage
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Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images
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Botões Chanel

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Look vintage

PL Gould/IMAGES/Getty Images

Discurso Verde

Quando falamos de sustentabilidade na moda, é comum que o primeiro pensamento seja o upcycling. Evitando o descarte em diferentes escalas, a técnica consiste em transformar roupas usadas, além de retalhos e resíduos têxteis, em novas peças.

foto com cor. upcycling de roupas - metrópoles
Reaproveitamento de peças usadas

O upcycling de luxo tem crescido cada vez mais, com projeções que indicam que o setor saltará de menos de 10 bilhões para quase 20 bilhões na próxima década. Contudo, ao mesmo tempo que grandes marcas investem milhões em marketing de sustentabilidade, também usam o poder jurídico para inviabilizar a economia circular feita por terceiros.

foto com cor. upcycling de roupas - metrópoles
Upcycling se popularizou no mercado fashion

O que não significa que não exista um interesse por parte das grandes casas de luxo na técnica. A Miu Miu, por exemplo, criou a linha Miu Miu Upcycled, em 2020. Inicialmente, a grife italiana transformou peças e acessórios vintage em vestidos contemporâneos. O projeto segue lançando coleções-cápsulas com frequência.

foto com cor. vestido de upcycling da miu miu - metrópoles
Miu Miu Upcycled

Já a Gucci lançou o programa Gucci-Up, que reaproveita sobras de couro e outros tecidos descartados durante os processos de fabricação da etiqueta. A Burberry, por sua vez, implementou a iniciativa ReBurberry Fabric – projeto que doa sobras de tecidos para estudantes de moda no Reino Unido.

foto com cor. projeto gucci up - metrópoles
Gucci-Up

Impacto para criadores independentes

O efeito colateral do caso Chanel pode atingir justamente um dos pilares da economia circular. Botões, ferragens, fivelas e outros componentes de alta qualidade, que antes encontravam uma segunda vida por meio do upcycling, correm o risco de permanecer inutilizados ou serem descartados para evitar problemas legais.

foto com cor. mulher pagando compra por aproximação - metrópoles
Economia circular

Assim, a decisão reacende uma discussão que ultrapassa a proteção da propriedade intelectual: até que ponto é possível conciliar o direito das marcas de preservar sua identidade com a necessidade de ampliar práticas sustentáveis e reduzir o desperdício na indústria da moda?

foto com cor. upcycling de roupas - metrópoles
Prática sustentável

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