
Ilca Maria EstevãoColunas

Gen Z prefere comprar em shoppings a lojas on-line; entenda movimento
Apesar de ter nascido totalmente imersa no ambiente digital, geração é a que mais faz compras presencialmente se comparada às mais antigas
atualizado
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Nativos digitais, multitarefas e hiperconectados: essas são algumas das características que melhor definem os membros da Geração Z. Com esses atributos, há de se imaginar que a maneira preferida deles de fazer compras seria através de sites e plataformas on-line, certo? Errado! Levantamentos recentes, incluindo relatórios do The Wall Street Journal, indicam que 62% das compras feitas pelos jovens no último ano foram em shoppings — e não pela internet. A geração que nasceu na era digital prefere comprar mais em lojas físicas do que em on-line. Por que será?
Vem entender!

Das telas às vitrines
Até o início dos anos 2000, um dos programas favoritos dos jovens era passear nos shoppings. Admirar as vitrines, encontrar amigos nos corredores e transformar o consumo em momentos de convivência eram hábitos comuns, especialmente entre os adolescentes da Geração X, nascidos entre os anos de 1965 e 1980. Com a popularização da internet e o boom do e-commerce, esse comportamento parecia ter ficado no passado.
Mas, ao contrário do que se imaginava, ele está longe de desaparecer. A Geração Z — primeira a crescer totalmente imersa no ambiente digital — tem redescoberto o valor da experiência física. Para muitos jovens, o passeio vai além da compra de produtos: envolve experimentar roupas, sentir a qualidade dos tecidos nas mãos, registrar conteúdos para as redes sociais e até mesmo explorar tendências em tempo real.
Em 2025, consumidores entre 18 e 24 anos realizaram 62% das compras em lojas físicas. Ainda seguindo a linha, aqueles com 25 anos ou mais realizaram 52% das compras pessoalmente, avaliou a Circana, consultoria de comportamento do consumidor e inteligência de mercado.

Esse movimento ajuda a explicar por que os shoppings voltaram ao radar do varejo. O entusiasmo dos consumidores mais jovens é um ponto positivo para o setor de shopping centers, que tem enfrentado dificuldades com o fechamento de estabelecimentos e a queda no fluxo de público nos últimos anos.
Parte disso pode ser explicado porque a geração millennial não se adaptou a frequentar esses centros comerciais da mesma forma que a Geração X.
E os números confirmam essa tendência: o crescimento dos gastos com varejo da Gen Z está superando todas as outras gerações, de acordo com a NielsenIQ, com gastos anuais globais previstos para ultrapassar US$ 12 trilhões até 2030. O grupo também gasta uma proporção maior de seu dinheiro disponível em lojas físicas do que as gerações mais antigas.

Experiência acima da conveniência
Se por um lado o e-commerce oferece praticidade, por outro, ele não entrega algo que a Geração Z valoriza cada vez mais: a experiência. Para esse público, tocar os produtos, experimentar peças, sair com a compra na hora e vivenciar o ambiente da loja fazem diferença na decisão de compra.
De acordo com a pesquisa PwC’s 2025 Holiday Outlook, 64% dos membros do grupo preferem descobrir novos produtos em lojas físicas, enquanto o número cai para 43% quando se trata dos millennials.

Outro ponto relevante é o papel das redes sociais: são elas que também impulsionam o movimento em direção aos shoppings. No Instagram e no TikTok, conteúdos com as tags #MallHaul e #ShopWithMe acumulam milhões de publicações e visualizações, despertando o desejo imediato nos consumidores.
Um comportamento que surgiu a partir desse movimento é o chamado webrooming, que é quando os consumidores pesquisam sobre certos produtos na internet, mas preferem fazer a compra presencialmente. No Brasil, 82% das vendas de varejo ainda ocorrem em lojas físicas, segundo o levantamento Think with Google.
Assim, o que parecia uma contradição se revela, na verdade, uma evolução do comportamento: mesmo sendo digital por natureza, a Gen Z não abre mão do contato humano e da experiência presencial, ela apenas ressignificou o papel do shopping.

