
Ilca Maria EstevãoColunas

Decisão sobre “taxa das blusinhas” afeta a moda em diversos níveis
Compras da Shein e de outras plataformas internacionais podem deixar de ser taxadas pelo governo, mas o cenário impacta a indústria local
atualizado
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A possível revogação da chamada “taxa das blusinhas” recolocou a moda no centro de um debate econômico e político. A medida, que incide sobre compras internacionais acima de US$ 50 feitas em plataformas como a Shein, pode ser revista pelo governo. Com isso, o varejo e a indústria se defendem, enquanto o comportamento de compra no Brasil pode ganhar novas características.
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Governo dividido sobre a taxação
As sinalizações dentro do governo federal mostram diferentes opiniões em relação ao assunto. O Ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a taxação foi “um dos elementos mais fortes de desgaste” da gestão Lula. Em sua avaliação, o governo deveria ter voltado atrás da decisão.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou tom mais cauteloso. Ele nega qualquer decisão tomada e reforça que a cobrança tem papel estratégico na proteção da indústria nacional.
“Continuo entendendo que ela é necessária, porque, mesmo com a taxa, ainda a tarifa é menor do que a produção nacional”, comparou o Alckmin.

Indústria em alerta
A popularização de plataformas internacionais transformou o acesso à moda no Brasil. Peças que seguem tendências globais passaram a ser adquiridas com agilidade e preços reduzidos, especialmente entre jovens e classes médias.
Nesse contexto, o fim da taxa tende a impulsionar ainda mais esse movimento. A lógica do fast fashion global se fortalece, acelerando ciclos de tendência e reduzindo a dependência do varejo nacional.
Por outro lado, o impacto interno é imediato. Confecções brasileiras, já pressionadas por custos elevados, enfrentam uma concorrência ainda mais agressiva. A discussão deixa de ser apenas sobre preço e passa a envolver sobrevivência de marcas, manutenção de empregos e sustentabilidade da produção local.

Setor defende equilíbrio
Em meio à possibilidade de mudança, entidades representativas da indústria e do varejo se posicionaram publicamente contra o fim da taxação. Em publicação, signatários argumentam que a medida é essencial para garantir condições mínimas de competição.
O texto sustenta que a cobrança ajuda a equilibrar o mercado diante da entrada massiva de produtos estrangeiros, muitas vezes produzidos em escala industrial e com custos significativamente menores. Sem esse mecanismo, afirmam, o risco é de enfraquecimento da cadeia produtiva nacional, que envolve desde o setor têxtil até o comércio.

