
Ilca Maria EstevãoColunas

Conheça a Ao Vento, marca do DF que faz roupas com cadeia sustentável
Fundada por Jaqueline Guerra, a etiqueta brasiliense usa tecidos naturais e possui uma produção em pequena escala para garantir qualidade
atualizado
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Nascida em Pernambuco e radicada no Distrito Federal, Jaqueline Guerra criou, em 2020, a Ao Vento, marca que tem como missão desenvolver roupas sustentáveis. Não à toa, tecidos naturais são as principais matérias-primas. Já a produção das peças é feita pequena escala, para garantir qualidade e boa remuneração das profissionais que as costuram.
Vem conhecer!

Há um dito popular que crava: não existe conhecimento perdido. Isso resume bem a trajetória de Jaqueline Guerra. A pernambucana, que se casou jovem e passou a vida dedicada à família, decidiu, em 2014, cursar a faculdade de moda em Brasília. Na sequência, vieram cursos de especialização no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mas ainda não havia algo completamente definido sobre o porquê desses passos.
Até que, em 2019, veio a vontade de abrir uma loja com uma curadoria de peças do seu gosto. No entanto, na sequência, a pandemia devastou o mundo com o coronavírus, que impactou não só a saúde, mas também a economia. Assim, o destino chamou Jaqueline a reavaliar o desejo do negócio.
A pernambucana repensou, inclusive, sua relação com a moda e com o consumo de moda. “Eu gostava muito de comprar roupa e não era nem para usar. Se eu achava algo bonito, comprava. Tinha um vazio no meio disso. [Com a pandemia] Me recolhi e esse recolhimento foi muito útil porque eu comecei a entender o mundo à minha volta”, relembra Jaqueline em entrevista à coluna.



Na conversa, Jaqueline destaca que a relação com a costura vem de casa e da relação com a mãe. Foi assim, então, seu primeiro contato com a moda. A caçula de quatro filhos lembra das visitas às lojas de tecido com a matriarca da família. “Adorava aquele ambiente. Ficava passando embaixo dos tecidos, totalmente encantada”, conta.
A familiaridade com tecidos e o desejo de fazer diferente foram determinantes para a fundação da Ao Vento. A marca nasce com a missão de ser leve, atemporal e, acima de tudo, responsável ambiental e socialmente. O carro-chefe da marca são vestidos que se adaptam a diferentes corpos e ocasiões. São peças que convidam a uma relação mais saudável com a moda e com as tendências.



“Quero moda com propósito”
Jaqueline Guerra tem plena consciência de que não consegue competir com as empresas chamadas de fast fashion. Decidiu adotar então, com a Ao Vento, o slow fashion em sua essência. Não trabalha com tendências ou coleções sazonais. Cria de acordo com a demanda – inclusive sob encomenda e sob medida –, com duas costureiras fixas que dão vida a seus desenhos.
Algodão e linho são os principais tecidos da Ao Vento. Jaqueline chegou a criar peças em seda, mas voltou atrás. “Não vou trabalhar mais com a seda por não ser um tecido vegano”, explica.
Atualmente, Jaqueline comercializa as peças da Ao Vento em um e-commerce e no perfil do Instagram. Também é figura carimbada nas feiras de produtores locais do café brasiliense Ernesto, que possui uma unidade na Asa Norte e outra na Asa Sul. “Devagarinho, vou apresentando minha marca, e uma pessoa que compra indica para outra e até compra novamente. Estou caminhando assim”, destaca a fundadora.



Moda Brasília
A Coluna Moda Fora dos Padrões deu início à série Moda Brasília em 2021. Toda semana, apresentamos marcas, designers e etiquetas locais, a fim de dar ênfase à moda criada no Distrito Federal.
O objetivo é apresentar iniciativas e empresas que atuam em prol da cadeia produtiva regional de maneira criativa, sustentável e inovadora. Os nomes são selecionados de forma independente pela equipe da coluna, a partir de critérios como diferencial de mercado e ações que valorizem a comunidade.
