Economia dá sinais de melhora após arrefecimento da pandemia

Dados recentes apontam queda no desemprego e aumento do PIB. Especialistas avaliam cenário como positivo, mas inflação ainda preocupa

atualizado 03/06/2022 17:48

Mulher de camisa branca passei em shopping Rafaela Felicciano/Metrópoles

Dados recentes mostram que a economia brasileira tem dado sinais de respiro após meses no vermelho. Nessa quinta-feira (3/6), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre de 2022, em relação ao quarto trimestre de 2021, e 1,7%, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Outro sinal de melhora na economia é a queda no preço do dólar que, desde 14 de maio, permanecesse abaixo de R$ 5. Além disso, as contas públicas alcançaram um superávit primário de mais de 140 bilhões de janeiro a abril deste ano. A inflação também apresentou queda mensal de 65% em maio.

A taxa de desemprego também apresentou queda. De acordo com o IBGE, a desocupação ficou em 10,5%, menor número desde 2015. O economista João Fernandes avalia que o número aponta para uma recuperação da confiança das empresas com o arrefecimento da pandemia de Covid-19.

“A gente teve uma demora para a recuperação econômica pós-pandemia se traduzir em contratações. Acabamos passando cerca de um ano com a economia crescendo sem que houvesse uma recuperação do emprego”, explica.

Esse ritmo, segundo o especialista, foi motivado pela instabilidade provocada pela crise sanitária. O receio de uma nova onda de Covid, que levasse à volta dos lockdowns, fez com que empresários segurassem as contratações mesmo que houvesse uma melhora na receita. Agora, com o cenário mais estável, essas contratações se aceleraram.

Além disso, os setores que dependem de maior circulação de pessoas, como varejo, restaurantes e serviços de lazer, também ganharam força com a diminuição nos índices de letalidade da pandemia. Dessa forma, cresceu a necessidade de mão de obra. “Foi um processo de acúmulo de resultados positivos de cada um desses setores. Isso também resulta no crescimento nas projeções do PIB”, observa.

Cenário mundial

O professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos atribui a retomada do crescimento da economia no Brasil a um fenômeno mundial de recuperação pós-pandemia.

Ramos avalia que a situação está caminhando para o cenário que o país apresentava antes da pandemia. Ele afirma que o principal desafio agora é a inflação que, apesar da queda, ainda está caminhando a passos lentos. “Recuperação está havendo, o problema é o nível. Você tem um crescimento modesto porque o Banco Central está aumentando a taxa de juros”, diz.

Reformas

Já William Baghdassarian, professor de finanças do Ibmec Brasília, acredita que a melhora é resultado das reformas aprovadas com o objetivo de frear a crise econômica que atingiu o país em meados de 2015 a 2017 e que demoraram a fazer efeito por conta da pandemia.

Entre as medidas, ele cita as reformas trabalhista e previdenciária e as leis de independência do Banco Central, da liberdade econômica e a da melhoria do ambiente de negócios. “São reformas que levam tempo para pegar tração e ir para frente”, diz.

William observa que a manutenção desse crescimento ainda depende de fatores externos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, que afeta o preço dos combustíveis e fornecimento de insumos.

Além disso, é preciso analisar o que leva cada dado a alcançar esses resultados. De acordo com ele, o superávit, por exemplo, foi alto em razão dos índices da inflação, que resultaram em uma maior arrecadação do governo.

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