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Ilca Maria Estevão

Adidas deixará de usar plásticos não reciclados em suas criações

Ação foi anunciada em pacote de medidas que prevê o uso de matérias-primas sustentáveis, compensação de carbono e modelo de negócio circular

11/02/2020 15:30, atualizado 11/02/2020 16:11
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Divulgação/Adidas
Adidas deixará de usar plásticos não reciclados em suas criações

Desde 2012, a Adidas tem reforçado sua relação com práticas sustentáveis ao investir em ações que remediam a poluição massiva causada pela indústria têxtil. O programa Parley for the Oceans, que prevê a fabricação de 15 milhões de pares de sapatos criados com plásticos retirados do oceanos, ilustra bem a preocupação da empresa com o tema. Um pacote de medidas anunciado no início deste mês mostra que os esforços da companhia alemã em prol do meio ambiente estão apenas começando.

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A produção desenfreada de plástico chegou a um ponto crítico. Em pesquisa divulgada pela Universidade da Califórnia, cientistas apontaram que, desde 1950, quando a produção de plástico em grande escala começou, mais de 8,3 bilhões de toneladas do material foram fabricadas. Desse montante, 75% se tornaram resíduos e apenas 10% foram reciclados.

Como se uma tonelada de plástico para cada habitante do planeta já não fosse assustador o suficiente, os pesquisadores ainda revelaram que, até 2050, 12 bilhões de toneladas do material serão lançadas em aterros sanitários e na natureza.

Agência Brasil/Reprodução
Em 2050, a previsão é de que haja mais plásticos do que peixes no oceano

Preocupada com a situação, a Adidas resolveu reformular todo seu modelo de negócio para amenizar a poluição do planeta. Além de investir em algodão sustentável e fabricar o primeiro moletom biodegradável do mundo, a companhia acaba de lançar o Primeblue e o Primegreen, dois tecidos sustentáveis nos quais o poliéster utilizado é 100% reciclado.

Adidas/Reprodução
Parceria com Stella McCartney resultou no primeiro moletom biodegradável do mundo

Enquanto o primeiro material, feito com o Parley Ocean Plastic®, será empregado em peças icônicas da label, como o Ultraboost 20, e nos uniformes esportivos, o segundo, que não contém plásticos virgens, será destaque nos produtos de alta performance.

Reprodução/Adidas
Tênis Adidas criado com plástico reciclado dos oceanos
Divulgação/Adidas
Uniformes esportivos também serão criados a partir do material
Divulgação/Adidas
Roupas feitas com o Primegreen

A empresa espera que, até o fim deste ano, 50% do volume total de poliéster seja substituído pelas novas matérias-primas e, até 2024, todo o uso de plásticos não reciclados desapareça dos processos de fabricação.

“Como uma grande empresa, a Adidas tem contribuído muito para o problema. É por isso que suas ações precisam ser igualmente grandes. A marca assumiu o compromisso de eliminar resíduos plásticos por meio de inovações e parcerias”, destaca James Carnes, vice-presidente de estratégia de marca, em comunicado à imprensa.

Kristina Nikishina/Getty Images for adidas
James Carnes defende que ações sustentáveis precisam ser do tamanho dos impactos ambientais gerados pela Adidas

A multinacional divulgou ainda que reduzirá a liberação de carbono em 30% até 2030 e compensará completamente as emissões de gás até 2050. Na Alemanha, a empresa já fornece quase toda a sua eletricidade a partir de fontes renováveis.

O programa Loop, em fase de testes desde o ano passado, também foi citado entre as novidades da gigante dos esportes. Neste novo modelo de negócios circular, a vida útil dos produtos será estendida por meio de aluguel, reparo ou revenda.

Divulgação/Adidas
Ao lançar o Futurecraft Loop, primeiro tênis 100% reciclável da companhia, a Adidas deu importante passo rumo a seu novo modelo de negócios

Utilizando materiais desenvolvidos a partir de recursos naturais e células criadas em laboratório, a empresa investirá em peças como o tênis de corrida Futurecraft Loop, que retornará à fabricante para reparos ou reaproveitamento depois que o cliente se desfizer do item. Há, ainda, um projeto que prevê criações biodegradáveis, visando o fim dos impactos ambientais dos objetos.

Colaborou Danillo Costa