com Rebeca Ligabue, Hebert Madeira e Sabrina Pessoa

Strike a pose! Andar dramático está de volta às passarelas

Graças ao sucesso dos programas Pose e Rupaul's Drag Race, expressividade dos anos 1990 é cada vez mais comum nos desfiles internacionais

atualizado 08/02/2020 10:50

Desfile de Christian Siriano na Semana de Moda de Nova YorkDia Dipasupil/Getty Images for NYFW: The Shows via Getty Images

Se a reinterpretação do vestido Versace de Jennifer Lopez roubou a cena na última Semana de Moda de Milão, em setembro de 2019, no Paris Fashion Week o protagonista foi o caminhar excêntrico de Leon Dame na passarela da Maison Margiela. A performance mal-encarada que fechou a apresentação da grife francesa impactou a indústria e viralizou nas redes sociais. O andar expressivo do modelo, no entanto, foi apenas um episódio de uma movimentação que ganha cada vez mais força nos desfiles internacionais.

Vem comigo saber mais sobre a volta das poses poderosas na passarela!

 

Do performático ao minimalista

Quando as supermodelos dominavam o mundo da moda, entre as décadas de 1980 e 1990, eram as responsáveis por acrescentar expressividade aos desfiles das grandes grifes.

Nomes como Naomi Campbell, Christy Turlington e Linda Evangelista sempre colocavam algo extra em seu caminhar, seja por meio de um giro no meio da passarela, seja uma pose arrebatadora em frente aos fotógrafos. Até mesmo no Brasil, onde Luíza Brunet incluía seus famosos pivôs em seu catwalk, a prática era comum na época.

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Naomi Campbell tinha andar marcante

 

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Pose de Christy Turlington no desfile de primavera/verão 1994 da Chanel

 

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Linda Evangelista também exibia personalidade ao entrar na passarela

 

No entanto, em algum momento entre a chegada de uma nova geração de profissionais e o crescente desejo de destacar, exclusivamente, as peças das novas coleções, as poses poderosas caíram em desuso. Apenas as Angels da Victoria’s Secret arriscavam uma caminhada mais performática.

Os comentados shows de Thierry Mugler, John Galliano e Alexander McQueen, em que modelos cruzavam a passarela com passadas cheias de drama, deram lugar aos desfiles robóticos que tomaram o universo fashion nas últimas duas décadas.

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A Victoria’s Secret manteve as poses performáticas vivas na indústria

 

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Desfile de primavera/verão 1982 de Thierry Mugler

 

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A liberdade criativa também era comum nas passarelas do John Galliano

 

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Alexander McQueen dava efeito dramático às suas criações por meio de poses exóticas

 

Strike a pose!

Por algum tempo, as instruções nos cursos de modelo eram rosto inexpressivo e gestos mínimos e simétricos, para não tirar o foco da roupa.

A postura era de quem passava o dia com uma pilha de livros da cabeça. O andar performático ainda se manifestava aqui e ali. Um exemplo? Quando Stella McCartney transformou seu desfile de outono/inverno 2017 em uma festa.

Agora, em parte pela difusão da série Pose, disponível na Netflix, que retrata os primórdios da cena ballroom nos Estados Unidos, e do reality show Rupaul’s Drag Race, no qual drag queens competem com carões e performances na passarela, o comportamento teatral ressurge.

 

Catwalking/Getty Images
Modelos dançam no outono/inverno 2017 da Stella McCartney

 

Divulgação/Rupaul's Drag Race
Reality show Rupaul’s Drag Race contribuiu para a volta do andar expressivo

 

Divulgação/Rupaul's Drag Race
Participantes do programa exibem semanalmente seus melhores looks dentro do tema proposto, com poses marcantes, é claro

 

Rupaul’s Drag Race influenciou a caminhada nas passarelas

Enquanto as artistas Aquaria, Violet Chachki e Miss Fame, ex-participantes da atração, passaram a figurar nas primeiras filas da temporada de primavera/verão 2020, os estilistas Brandon Maxwell, Christian Siriano e Marc Jacobs (fãs declarados do reality) decidiram acrescentar mais alegria, atitude e drama em seus desfiles na Semana de Moda de Nova York. Siriano convidou Coco Rocha para fechar o show com uma posição digna de um espetáculo de dança contemporânea.

Bertrand Rindoff Petroff/Getty Images
Miss Fame e Violet Chachki no desfile que marcou a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier

 

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Aquaria, Billy Porter e Miss Fame no desfile da Erdem

 

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Aquaria foi um dos destaques do último desfile de Jeremy Scott

 

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Adriana Lima e Violet Chachki

 

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Coco Rocha encerra exibição Christian Siriano, também na última temporada da semana de moda norte-americana

 

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Designer voltou a utilizar recurso em sua apresentação de outono/inverno 2020, realizada nessa quinta-feira (06/02/2020)

 

Peter White/WireImage
Modelo conseguiu enfatizar a fluidez de Brandon Maxwell

 

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Show performático de Marc Jacobs

 

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Gigi Hadid na passarela de primavera/verão 2020 da Marc Jacobs

 

Mais tarde, em Paris, a Maison Margiela incluiu o excêntrico Leon Dame em sua apresentação. Embora a situação tenha sido encarada de uma forma engraçada, o homem por trás dos passos bruscos do modelo, o coreógrafo Pat Boguslawski, defende a atuação. “Se é um desfile de moda, por que estamos assistindo a um andar comum? Deve haver algum tipo de performance, para que possamos ver os personagens”, afirmou à revista Elle.

Victor VIRGILE/Gamma-Rapho via Getty Images
O andar mal-encarado de Leon Dame no desfile da Maison Margiela

 

A cultura dos bailes fashionistas mostrada em Pose também tem deixado suas impressões digitais no mercado. José Xtravaganza, consultor da atração da FX, tem trabalhado com Joan Smalls e Kendall Jenner para realçar o brilho do caminhar das top models.

Divulgação/FX/Pose
Série Pose retrata os primórdios da cena ballroom, entre os anos 1980 e 1990

 

Divulgação/FX/Pose
Por lá, a desenvoltura na passarela é essencial para vencer os cobiçados grand prizes

 

Série Pose enfatizou a cena ballroom 

 

@jose.xtravaganza/Instagram/Reprodução
Jose Xtravaganza, consultor da atração da FX, treina as tops Joan Smalls e Kendall Jenner

 

Na passarela

O espírito da série também pôde ser sentido no show de estréia de Christopher John Rogers, no qual modelos percorriam a passarela com pausas dramáticas e soberbas que remetiam diretamente às competições da série.

Dia Dipasupil/Getty Images for NYFW: The Shows
Uma das poses vistas no desfile de Christopher John Rogers

 

Dia Dipasupil/Getty Images for NYFW: The Shows
Casting imprimiu muita personalidade na estreia do estilista nas passarelas

 

No fashion show da Savage X Fenty, transmitido no Amazon Prime, a incorporação desse tipo de catwalk ajudou a marca a elevar ainda mais o potencial da apresentação, chegando lembrar a Mugler dos anos 1990, com cenários luxuosos e estrelas da moda exalando desenvolturas teatrais.

Kevin Mazur/Getty Images for Savage X Fenty Show Presented by Amazon Prime Video
Bella Hadid estava superempoderada no fashion show da Savage X Fenty

 

Na Semana de Alta-Costura, o recurso foi amplamente empregado por Jean-Paul Gaultier em seu desfile de despedida e, convenhamos, a ocasião não teria sido tão icônica se as modelos tivessem exibido feições comuns.

Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images
A brasileira Lais Ribeiro dramatizando no desfile que marcou a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier

 

Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images
Coco Rocha dançou balé na apresentação realizada no Théâtre du Châtelet, em Paris

 

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Parte do calendário da Semana de Alta-Costura, evento valorizou catwalks de personalidade

 

Victor VIRGILE/Gamma-Rapho via Getty Images
Modelos interagem na passarela do estilista francês

 

Em um cenário tão conectado quanto o que vivemos, as vendas de uma coleção não dependem apenas de qualidade e estilo mas também do estrondo que o trabalho faz na internet.

Uma roupa interessante em uma passarela comum pode valer um like, mas não há quem resista ao botão de compartilhar quando se depara com uma modelo exalando personalidade na passarela. As poses, mais do que impactantes, têm se mostrado uma ótima tática de marketing.

Colaborou Danillo Costa 

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