Vorcaro tinha citado Jaques Wagner em delação, além de Rui Costa
Delação de Daniel Vorcaro rejeitada pela PF e pela PGR mencionava pagamentos a Jaques Wager e a Rui Costa, ambos do PT da Bahia

O banqueiro Daniel Vorcaro havia citado o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em sua segunda proposta de delação premiada, recusada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nos últimos dias.
Segundo interlocutores de Vorcaro, o banqueiro tinha detalhado parte do esquema revelado nesta quinta-feira (18/6) na decisão do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF, que baseou a operação de busca e apreensão contra Wagner.
Além de Wagner, Vorcaro também citou na delação outra liderança do PT baiano; Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil de Lula. Como a coluna revelou em 10 de junho, as citações a Costa se referem ao período em que ele foi governador da Bahia.
O banqueiro relatou pagamentos ao ex-ministro como contrapartida à operação do Credcesta, cartão de benefício consignado voltado para servidores públicos. O Master passou a operar o cartão entre 2018 e 2022, justamente quando Rui era governador.
Na delação premiada, segundo interlocutores de Vorcaro, o banqueiro afirma que o esquema com os petistas da Bahia era comandado por seu sócio Augusto Lima, que também foi alvo de operação de busca e apreensão pela PF na manhã da quinta-feira.
O ex-ministro da Casa Civil já negou publicamente ter relações próximas com Vorcaro. Em entrevistas no início de 2026, Costa disse que esteve com o banqueiro apenas uma única vez em agenda institucional e defendeu as investigações sobre o Caso Master.
Além de Jaques e Rui, Vorcaro mencionou ainda outros petistas baianos considerados como segundo escalão, de acordo com pessoas que tiveram acesso à delação do banqueiro. Até o momento, o líder do governo Lula não se pronunciou sobre a operação.
Na decisão em que autorizou as buscas contra Wagner, André Mendonça cita que a Polícia Federal baseou sua investigação em diversas mensagens encontradas no celular de Augusto Lima e de outros personagens, e não na delação premiada de Vorcaro.
As mensagens, segundo a PF, indicam uma possível atuação de Jaques no Congresso em favor do Master. Em troca, ele teria recebido benefícios como um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e outras regalias que somariam ao menos R$ 3 milhões.
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