Da sabatina à rejeição: os bastidores da derrota de Messias no Senado.
Quarta-feira começou com clima de confiança no Palácio do Planalto, mas terminou com derrota histórica do governo Lula no Senado

A quarta-feira (29/4) começou com um clima de confiança no Palácio do Planalto, mas terminou com uma derrota histórica para o governo Lula. Após cinco meses de articulações, o Senado rejeitou a indicação do ministro da AGU, Jorge Messias, ao STF por 42 votos a 34.
A sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado começou pouco antes das 10h. No início da sessão, governistas demonstravam otimismo. O líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), chegou a prever à coluna que Messias passaria com 45 votos.
No início da tarde, porém, a preocupação foi tomando conta do governo. Assessores de Messias percorriam os corredores do Senado fazendo contagem de votos, numa tentativa de mapear apoios e identificar possíveis resistências a serem vencidas.
O esforço já refletia a percepção de que a votação seria mais difícil do que o governo propagava publicamente. Após oito horas de sabatina, a CCJ aprovou o nome de Messias por 16 votos a 11. O placar, mesmo favorável, reforçou os sinais de alerta no entorno do ministro.
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Ver todasDepois disso, a mobilização política se intensificou. De licença médica após uma cirurgia, a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) fez questão de comparecer ao plenário para votar. Ela chegou ao Senado por volta das 18h50 de máscara, tapando nariz e boca.
No plenário, outra cena chamou atenção: o líder do governo conversou com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em tom descontraído, Wagner mostrou ao colega a gravata que vestia, uma cópia da “gravata da sorte” que Lula costuma usar.
A votação também atraiu diversos dirigentes partidários ao Senado. Os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira, e do Republicanos, Marcos Pereira, acompanharam a votação no plenário. O presidente do PSB, João Campos, também estava no Senado.
Pouco depois das 19h, veio o desfecho. Com tom eufórico, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), proclamou o resultado: 42 votos contrários e 34 favoráveis. A derrota foi histórica. Desde 1894, senadores não rejeitavam uma indicação ao STF.
Messias acompanhou a votação pela TV na sala da liderança do governo no Senado. Ali, após a derrota, foi consolado pela esposa e por aliados próximos. Entre eles, o ministro da Defesa, José Múcio, o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e João Campos.
Ainda no Senado, Messias deu uma entrevista coletiva dizendo aceitar o resultado e afirmando que não via a derrota como o fim. Do Congresso, seguiu para o Palácio da Alvorada, onde se reuniu com Lula para discutir o que deu errado e como o governo pretende reagir.














