Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Agronegócio volta atrás e decide publicar manifesto pela democracia

Após reunião, signatários do documento resolveram marcar posição diante da suspensão do manifesto que seria encabeçado pela Fiesp

atualizado 30/08/2021 17:44

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Sete entidades que representam segmentos do agronegócio voltaram atrás na decisão de suspender um manifesto em defesa da democracia e publicaram o documento nesta segunda-feira (30/8). Diretores das entidades signatárias se reuniram nesta tarde e chegaram à conclusão de que era preciso marcar um posicionamento após a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) suspender a publicação do manifesto em que vários setores econômicos defenderiam a manutenção da estabilidade institucional.

Os representantes do agronegócio haviam cancelado a publicação da carta após o anúncio feito pela Fiesp, mas decidiram rever o posicionamento por considerarem a atitude da federação uma “vergonha”. O documento assinado por diversos setores econômicos seria divulgado nos jornais de terça-feira (31/8), e várias das entidades envolvidas no manifesto do agronegócio eram signatárias da nota que foi cancelada.

No documento, as entidades do agronegócio manifestam “preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional e, como consequência, à estabilidade econômica e social em nosso país”. “Em nome de nossos setores, cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes responsáveis, em chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil e de sua História”, diz a carta.

As entidades afirmam que a Constituição trouxe “conquistas e avanços dos quais podemos nos orgulhar” e que o Brasil só alcançará o desenvolvimento econômico e social com “paz e tranquilidade”. “As amplas cadeias produtivas e setores econômicos que representamos precisam de estabilidade, segurança jurídica, de harmonia, enfim, para poder trabalhar.”

“É o Estado Democrático de Direito que nos assegura essa liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista, o que é o inverso de aventuras radicais, greves e paralizações ilegais, de qualquer politização ou partidarização nociva que, longe de resolver nossos problemas, certamente os agravará”, diz o manifesto.

Em tom duro, os signatários criticam as ameaças frequentes de ruptura institucional e os danos que a instabilidade política traz para a economia brasileira.

“Somos uma das maiores economias do planeta, um dos países mais importantes do mundo, sob qualquer aspecto, e não podemos nos apresentar à comunidade das Nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais. O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter”, diz a nota.

Assinam o documento a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), a Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), a CropLife Brasil, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

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