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Presidente da CCJ do Senado diz que Eduardo promove “genérico do Pix”
Presidente da CCJ do Senado diz que Eduardo Bolsonaro expressa “sentimento lesa-pátria” e ironiza anúncio do Zelle como alternativa ao Pix
atualizado
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Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA) criticou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro após ele defender o uso do sistema de transferências norte-americano Zelle como alternativa ao Pix. Em vídeo publicado nas redes sociais na sexta-feira (5/6), o senador classificou o aplicativo dos Estados Unidos como um “genérico do Pix” e afirmou que a posição de Eduardo revela um “sentimento lesa-pátria”.
“É inacreditável o que diz o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Sabe o que é o Zelle? É o genérico do Pix. E ele quer, através de uma negociação, fazer com que o Brasil se renda aos Estados Unidos e não mantenha o Pix como é, um produto brasileiro e dos brasileiros. Absolutamente, isso é um sentimento de lesa-pátria”, declarou Otto.
Otto também associou a postura de Eduardo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o senador, o “sentimento lesa-pátria” já havia sido demonstrado durante os quatro anos do governo Bolsonaro, período em que, afirmou, o então presidente “andou batendo continência para a bandeira americana”. Otto disse ainda que o Brasil deve defender seus interesses econômicos, culturais e democráticos.
A reação ocorreu após entrevista de Eduardo Bolsonaro ao portal TMC News. Na ocasião, o ex-deputado afirmou que o Brasil poderia usar o Zelle como argumento em negociações com os Estados Unidos.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, disse.
A declaração foi dada após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação da Seção 301 contra o Brasil. No relatório, o órgão sugere a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, sob a alegação de que o país adota práticas consideradas desleais ao comércio norte-americano.
Entre os pontos citados, está a acusação de que políticas brasileiras de pagamento eletrônico desfavorecem empresas dos Estados Unidos que atuam no comércio digital e em serviços de pagamento. Embora o argumento seja apresentado sob a ótica comercial, analistas veem componente protecionista na medida, diante do impacto do Pix sobre o uso de bandeiras de cartão de crédito norte-americanas.