Planalto resiste à nova lei da inteligência por temor de repetição da "Abin Paralela"
Proposta que atualiza regulamentação das atividades de inteligência enfrenta resistência do governo no Senado

A Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e a Polícia Federal (PF) resistem ao projeto que cria um novo marco legal para as atividades de inteligência no Brasil. Entre as preocupações do Planalto está a possibilidade de repetição de episódios como o da “Abin Paralela”, esquema de monitoramento de adversários políticos durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), apurou o Metrópoles.
A posição do Executivo levou ao adiamento da votação da proposta, que estava prevista para o plenário do Senado em 10 de junho. Pelo acordo firmado com o relator da matéria, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o texto deverá ser analisado antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho.

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Ver todasO projeto busca substituir a legislação que rege a atividade de inteligência desde 1999. A proposta estabelece diretrizes para a atuação dos órgãos do setor, regulamenta operações de inteligência, define mecanismos de controle e trata do acesso e da proteção de informações sigilosas.
Outro ponto previsto é a separação entre atividades de inteligência e investigação criminal. Pelo texto, produtos de inteligência não poderão ser utilizados como prova em processos judiciais ou administrativos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularO projeto também trata do acesso a dados. A proposta autoriza a obtenção direta de dados cadastrais, como nome, filiação e endereço, e prevê regras para o acesso a outras informações, como registros de conexão, histórico de navegação e metadados de comunicações.
A proposta prevê ainda medidas de proteção para profissionais da área, como preservação da identidade, sigilo de dados pessoais, utilização de identidade fictícia em determinadas operações e programas de proteção para agentes e familiares.
A Intelis, entidade que representa os profissionais de inteligência da Abin, afirmou ao Metrópoles que a atualização da legislação dará maior segurança jurídica aos servidores que atuam na atividade de inteligência.
Procurada pela coluna, a Casa Civil afirmou que “não comenta especulações ou informações atribuídas a discussões internas do governo”.
Em nota, a pasta acrescentou que “não se manifesta sobre o conteúdo de propostas legislativas em debate no Poder Legislativo, nem sobre aspectos relacionados à sua tramitação. Posicionamentos institucionais do governo federal são divulgados pelos canais oficiais, quando cabíveis”.
A SRI e a PF não responderam aos questionamentos da coluna. O espaço segue aberto para manifestações.





