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Exclusivo. À beira do colapso, Rodoviária precisa de intervenção imediata, diz TCDF

Falhas também foram apontadas no Panteão da Pátria e Teatro Nacional. Ginásio esportivo e passagem na Asa Norte precisam de reforma urgente

atualizado 19/12/2018 14:36

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Além do risco de desabamento de pontes, viadutos e tesourinhas, o novo relatório de inspeção do Tribunal de Contas do Distrito Federal e Territórios (TCDF), ao qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade, aponta a degradação, o abandono e a situação precária de outras edificações no coração da capital do país. Entre elas, o Teatro Nacional Cláudio Santoro e a Rodoviária do Plano Piloto.

O terminal, segundo o TCDF, requer intervenções imediatas. Também foi identificada a necessidade de reformas urgentes no Conjunto Aquático do Complexo Poliesportivo Ayrton Senna, no Ginásio Cláudio Coutinho e na passagem de pedestres subterrânea entre as entrequadras 115/116 e 215/216 Norte.

O Museu Nacional de Brasília recebeu cartão amarelo: foram constatados problemas relevantes, como trincas nas rampas, mas os técnicos da Corte de Contas não identificaram a necessidade de reparos imediatos.

Ao todo, o TCDF vistoriou nove edificações. Elas também foram analisadas no diagnóstico divulgado pela Corte em 2012. Uma das estruturas comprometidas apontadas no primeiro relatório era o viaduto sobre a Galeria dos Estados, que, sem manutenção, desabou no dia 6 de fevereiro. A arte interativa abaixo traz o comparativo entre os dois relatórios (clique nos dois últimos quadros).

 

Teatro Nacional
O Teatro Nacional está fechado desde 2014, por determinação do Corpo de Bombeiros e Ministério Público do DF e Territórios. Motivo: falta de segurança e de acessibilidade. No começo de 2017, o Metrópoles entrou no monumento e constatou o abandono. O prédio estava tomado por entulho, baratas e escorpiões.

Como encontraram as portas fechadas, os técnicos do TCDF analisaram apenas a estrutura externa do teatro. Mesmo assim, apontaram problemas, como armadura exposta, degradação do concreto, trincas e marcas de infiltração.

Veja os problemas apontados pelo TCDF no monumento:

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Em janeiro deste ano, o GDF selecionou o Instituto Pedra, por meio de chamamento público, para captar recursos, contratar e acompanhar a reforma do teatro. No dia 22 de novembro, o governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) anunciou ter conseguido, na Caixa Econômica Federal, R$ 12 milhões para reforma do prédio. Os recursos serão disponibilizados pela Lei Rouanet.

Rodoviária do Plano Piloto
Outra edificação no coração da cidade que preocupa é a Rodoviária do Plano Piloto. Na vistoria, os técnicos do TCDF observaram problemas no terminal, como o deslocamento das placas de revestimentos nas paredes. Aberturas no teto, ausência de forro e instalações expostas também são falhas apontadas no relatório. No piso, há buracos, deformações e trincas. O laudo também aponta o mau funcionamento das escadas rolantes.

Pela rodoviária, transitam, diariamente, 700 mil pessoas. Elas são testemunhas do estado precário do terminal e são expostas a riscos constantes. Em agosto deste ano, os problemas crônicos enfrentados pelos passageiros e usuários do terminal foram mostrados pelo Metrópoles em reportagem da série DF na Real.

Nos dois dias em que a equipe ficou no local, notou banheiros danificados, escadas rolantes e elevadores quebrados, além de aberturas no piso e fios expostos – as mesmas falhas apontadas pelo TCDF. À noite, a Rodoviária do Plano Piloto vira ponto de moradores de rua, que buscam abrigo para varar a madrugada. As pessoas dormem tanto na plataforma quanto nas imediações. Tudo a menos de 3km das sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros.

Em outubro deste ano, à beira do colapso, a Rodoviária do Plano Piloto chegou a ser parcialmente interditada pela Defesa Civil por risco de desabamento. A medida foi adotada após cabos de sustentação se romperem durante uma obra da Operadora Vivo.

 

Confira diagnóstico dos técnicos do TCDF sobre a rodoviária:

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As reformas no terminal parecem infindáveis. As obras começaram em 2014 e, até hoje, não solucionaram os problemas estruturais do terminal. A licitação ocorreu no último ano da gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e presumiu investimentos da ordem de R$ 36,5 milhões.

Segundo a Novacap, a reforma deve terminar em junho de 2019 e prevê a correção de falhas no piso, teto e instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias. A obra também tem, de acordo com a companhia, objetivo de aprimorar a sinalização de acessibilidade, recuperação de calçadas e drenagem interna de águas pluviais.

Complexo aquático e Ginásio Cláudio Coutinho
A vistoria no Conjunto Aquático do Complexo Poliesportivo Ayrton Senna e no Ginásio Cláudio Coutinho apontou a situação crítica nas duas unidades esportivas e a necessidade de reformas imediatas.

O ginásio foi interditado pela Defesa Civil e, por conta disso, os técnicos avaliaram apenas a estrutura externa. Encontraram deslocamento de revestimento, fissuras e trincas generalizadas, armadura exposta e oxidada, deterioração do concreto, deslocamento das juntas da arquibancada e cobertura danificada.

No complexo aquático, foram vistas trincas na arquibancada, desnível do piso e oxidação na área das piscinas e armaduras expostas, fissuras, vazios na concretagem, marcas de infiltração, incluindo a formação de estalactites, no subsolo do prédio.

Confira imagens do complexo aquático e Ginásio Cláudio Coutinho:

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Tanto o ginásio quanto o complexo aquático fazem parte do pacote batizado pelo GDF de ArenaPlex e foi oferecido à iniciativa em edital de concessão. Apesar do certame ter sido publicado em dezembro de 2017, o processo está suspenso pelo TCDF por conta de irregularidades no edital. Além dos dois prédios, fazem parte do complexo o Ginásio Nilson Nelson e o Estádio Nacional Mané Garrincha.

Passagem subterrânea na 115/116 e 215/216 Norte:
Outra estrutura em situação crítica, segundo o relatório do TCDF, é a passagem subterrânea para pedestres entre as entrequadras 115/116 e 215/216 Norte. Foram identificados problemas como fissuras, descolamento de revestimento, desagregação do concreto nas paredes e no teto.

Veja os problemas apontados:

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Outros monumentos foram vistoriados pelo TCDF neste ano, como o Panteão da Pátria e o Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Veja alguns problemas encontrados:

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Conforme revelou o Metrópoles nesta quarta-feira (19/12), há falhas graves em outras construções, que necessitam de reparos urgentes. São elas: as pontes do BraguetoCosta e Silva e das Garças; as tesourinhas do Eixo L na 203/204 Sul, 215/216 Sul e 215/216 Norte; e as do Eixo W na 115/116 Norte. Também no Eixo W, há necessidade de restaurações no viaduto sobre a Via N2.

Para a presidente do TCDF, conselheira Anilcéia Machado, a “omissão na conservação desses bens públicos pode vir a acarretar prejuízos enormes”. E completou: “Portanto, investir em obras de recuperação é uma forma de garantir não só a economia de recursos públicos mas a segurança dos cidadãos”.

Acionado, o GDF não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

 

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