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Após ser cobrado pela sociedade civil, por órgãos de fiscalização e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF), o Governo do Distrito Federal (GDF) promete voltar os olhos para a Ponte do Bragueto, situada no fim da Asa Norte. Nesta sexta-feira (9/2), o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Márcio Buzar, fará vistoria na construção que, segundo especialistas, corre o risco de desabar e provocar novo desastre.

A visita estava marcada para as 15h, mas foi adiada para as 18h desta sexta e, depois, para as 8h de sábado (10). Acompanhado do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), na manhã desta sexta, Buzar percorreu os escombros do desabamento ocorrido na terça-feira (6), no Eixão Sul. De acordo com o recém-nomeado diretor do DER, tão logo terminar o escoramento do viaduto que ruiu, os trabalhos na Ponte do Bragueto vão ser iniciados.

Segundo Buzar, inicialmente, a ponte não será demolida, apenas receberá reforço. “Vamos trabalhar em quatro ações. Botar uma barreira anterior para os carros respeitarem a sinalização de 4m de pé direito. Depois, faremos a recuperação debaixo da laje. Vamos colocar um técnico lá diariamente para fazer o controle e a vistoria do estado da estrutura e priorizar a construção das duas pontes laterais na obra do Trevo de Triagem Norte”, disse o diretor do DER.

Por anos, o governo ignorou os alertas sobre a precariedade da construção. Um deles foi feito pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Relatório do órgão, elaborado em 2012, apontou as obras consideradas urgentes, entre elas, a do Bragueto.

Após a queda do viaduto na área central de Brasília na terça (6), moradores da região norte do Distrito Federal também organizaram um abaixo-assinado para exigir do governo local a manutenção imediata da Ponte do Bragueto, que liga o fim da Asa Norte a regiões como Lago Norte, Sobradinho e Granja do Torto.

Além disso, em entrevista ao Metrópoles na quarta (7), a presidente do Crea, Fátima Có, disse que a reforma de três construções na capital do país merece ser encarada pelas autoridades como “prioridade zero”. São elas: pontes JK e do Bragueto e viaduto da N2, que fica próximo ao Conjunto Nacional.

“As pessoas que circulam por esses lugares correm risco de vida. Não falo para causar alarde, mas a conclusão vem de anos de estudos e relatórios que já foram apresentados para o governo. O viaduto que desabou era o segundo na lista de prioridade. O primeiro era o Buraco do Tatu, antes de ser revitalizado“, disse Fátima Có.

Uma cratera aberta na Ponte do Bragueto no fim do ano passado expôs a precariedade da construção. Na ocasião, o buraco foi remendado com uma placa de metal, em caráter emergencial, conforme explicou o DER.

“É uma ponte que continua com fissuras. Fizeram uma emenda, não uma recuperação efetiva. É um local que não tem o mesmo desempenho que tinha há anos. As chuvas, aliadas à falta de manutenção, ajudam a deteriorar ainda mais as estruturas nas armaduras e pilares”, enfatizou Fátima Có.

A pressão também vem da Câmara Legislativa. A deputada Sandra Faraj (SD), ex-administradora do Lago Norte, encaminhou documento ao governador para cobrar a vistoria urgente da ponte.