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Fábia Oliveira

Segredo de policial no caso Tim Lopes vem à tona após 23 anos

A coluna obteve, com exclusividade, um trecho de uma entrevista de Daniel Gomes concedida a Jorge Lordello para o canal Na Cena do Crime

Fábia Oliveira10/12/2025 11:47, atualizado 11/12/2025 11:20
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Foto/Divulgação
Foto colorida de Jorge Lordello e Daniel Gomes - Metrópoles

Um dos segredos mais bem guardados da história recente da polícia carioca finalmente veio à tona. Em entrevista exclusiva concedida a Jorge Lordello para o canal Na Cena do Crime, o comissário Daniel Gomes revelou que, para solucionar a morte de Tim Lopes, localizar os restos mortais do repórter e identificar Elias Maluco e seus comparsas, ele precisou cometer um crime.

Veja vídeo

A coluna Fábia Oliveira teve acesso antecipado a trechos da entrevista, que foi ao ar nesta quarta-feira (10/12), às 18h, no YouTube. Segundo Lordello, o policial manteve o segredo por 23 anos por risco de punição e até mesmo de perda do cargo público.

Daniel Gomes, hoje com 72 anos e ainda na ativa, dedica quase quatro décadas à Polícia Civil do Rio de Janeiro e tinha 49 anos quando assumiu a investigação do desaparecimento de Tim Lopes, em 2 de junho de 2002. Naquele período, a pressão para encontrar o jornalista vivo ou morto era enorme. A Vila Cruzeiro era dominada pelo Comando Vermelho, e a lei do silêncio tornava impossível obter informações sobre o paradeiro do repórter.

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Jorge Lordello e Daniel Gomes
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Jorge Lordello e Daniel Gomes
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Jorge Lordello e Daniel Gomes

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Com a chance real de que o caso terminasse sem solução, Daniel contou que tomou a decisão de agir fora dos métodos legais, apostando tudo em uma estratégia que só agora resolveu detalhar. A ação foi crucial para que os restos mortais de Tim Lopes fossem encontrados, permitindo que a família realizasse um enterro digno.

O trabalho também levou à prisão de Elias Maluco, em 19 de setembro de 2002, além de outros oito envolvidos diretamente na execução do jornalista.

Além de sua atuação no caso, Daniel Gomes é escritor, professor de novos policiais e já ministrou palestras até para forças de segurança nos Estados Unidos. Mesmo com quase 40 anos de carreira, segue sem intenção de se aposentar.

A entrevista promete revelar todos os bastidores da investigação e o método não convencional que mudou o rumo do caso Tim Lopes.

Segredo revelado

O vídeo que foi ao ar hoje (10/12) no canal Na Cena do Crime traz os detalhes do procedimento que Daniel Gomes manteve em sigilo por mais de duas décadas.

O comissário relatou que, durante a investigação, recebeu na delegacia um preso oriundo da mesma comunidade ligada ao desaparecimento de Tim Lopes. Ao interrogá-lo, buscou informações que pudessem indicar o paradeiro do jornalista.

O detido afirmou que, enquanto estivesse preso, não teria condições de ajudar, mas que, em liberdade, poderia circular pela favela e levantar detalhes que a polícia não conseguia obter.

Daniel decidiu colocá-lo em liberdade sem comunicar superiores ou formalizar o procedimento. No dia seguinte à soltura, o homem telefonou para o comissário e informou que a investigação avançava na direção errada. Disse ainda onde o repórter estaria enterrado, indicando a localização conhecida como Pedra do Saco.

Para concluir o caso, Daniel elaborou um relatório final no qual registrou que Tim Lopes assumia riscos ao realizar reportagens investigativas na comunidade, o que, segundo ele, contribuía para o contexto que levou ao assassinato.

A inclusão dessa afirmação resultou na abertura de um processo interno na corregedoria, que se estendeu por dois anos e terminou sem punição após a análise dos fatos.

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