Veterinário alerta para riscos de atrasar a vacinação dos pets
O protocolo exige exame clínico antes das primeiras doses e reforços anuais, que devem ser aplicados por um médico-veterinário

Para evitar doenças graves e até fatais, é importante ficar de olho no protocolo correto de vacinação de cães e gatos. O veterinário Atílio Sersun explica que as vacinas atuam “treinando” o sistema de defesa do bicho para reconhecer os agentes causadores de infecções.
Entenda
- Filhotes exigem exames clínicos completos antes das primeiras aplicações. Em adultos, o reforço é obrigatório, pois a proteção imunológica tem um prazo limite.
- Animais com o protocolo atrasado ficam suscetíveis a contrair doenças graves em simples passeios, como parvovirose e cinomose, em cães, e herpesvírus, em gatos.
- A obrigatoriedade da vacina contra a raiva existe para criar uma barreira imunológica e prevenir que a zoonose chegue aos seres humanos.
É importante ressaltar que a vacina não provoca doenças no animal. Em vez disso, utiliza componentes do agente infeccioso, ou versões inativadas ou atenuadas dele, para estimular uma resposta imunológica e preparar o organismo para combater uma possível infecção.
A imunização não protege apenas a saúde do animal, mas atua como uma forte barreira na saúde pública. A vacinação antirrábica, obrigatória em todo o território nacional, previne a raiva, uma zoonose grave que pode ser transmitida aos seres humanos.

Atenção: comprar vacinas em agropecuárias, sem o controle térmico correto, compromete os componentes do produto e anula a proteção contra doenças.
Protocolo inicial e reforço na fase adulta
Para quem acabou de adotar um filhote, a recomendação é buscar um consultório para realizar uma avaliação clínica. É indispensável atestar que o animal está plenamente saudável antes de aplicar as imunizações.
Na fase adulta, os reforços anuais continuam sendo a regra de ouro, especialmente para aqueles que têm acesso a ambientes externos.
“A proteção da imunidade não possui prazo indeterminado. Caso o animal perca a imunidade contra determinado agente infeccioso e entre em contato com ele, poderá desenvolver a doença mesmo sendo adulto”, pontua Atílio Sersun.
O veterinário ressalta que atrasar o calendário de vacinação expõe o pet a problemas que podem levar ao óbito. Em cães, a falha imunológica abre caminho para alterações neurológicas da cinomose e quadros severos de parvovirose. Já nos gatos, o descuido favorece o contágio rápido por viroses graves, como o herpesvírus felino.

Atente-se ao armazenamento da vacina
Embora seja comum encontrar vacinas à venda em lojas agropecuárias, aplicá-las em casa traz um risco de ineficácia. Além da falta de um atestado profissional no momento da aplicação, a imunização poder ter sido armazenada incorretamente.
A quebra da chamada “cadeia de frio” destrói os constituintes da fórmula, tirando a capacidade do produto de induzir uma resposta imunológica no organismo do pet. Isso gera uma falsa sensação de proteção e o tutor acredita estar fazendo o certo, mas o bicho continua desprotegido.
O veterinário compara a falha térmica ao desleixo com os alimentos da geladeira. “Isso se compara a manter um produto perecível (como um derivado lácteo) fora do refrigerador, resultando na perda de suas propriedades”, explica. Por essa razão, a avaliação prévia do veterinário é insubstituível.

Cuidados
Após a aplicação correta no consultório, é normal que o animal apresente reações leves e passageiras, como febre baixa ou apatia, que são decorrentes da própria resposta inflamatória.
Caso o quadro saia fora do comum, o médico deve ser consultado imediatamente. Porém, Atílio afirma que o perigo de contrair uma infecção nas ruas é “infinitamente superior ao risco de qualquer eventual efeito colateral decorrente da vacinação”.
Segundo o profissional, existem situações clínicas bem específicas em que a vacina deve ser suspensa ou adiada.
“Animais doentes que estão enfrentando um processo infeccioso ativo não possuem capacidade de responder de forma eficaz ao imunizante, sendo necessário aguardar a recuperação”, explica o veterinário.
Fêmeas gestantes também exigem manejos totalmente diferenciados. “Elas demandam a utilização de produtos específicos ou, dependendo da espécie, a conclusão da imunização previamente ao próprio período reprodutivo”, conclui o expert.





