Saiba como o polvo usa seus três corações e "nove cérebros" no oceano
O polvo tem sangue azul, solta tinta para fugir de ataques e divide o comando do corpo entre a cabeça e os oito braços

O polvo chama a atenção nos oceanos por ter três corações, sangue na cor azul e ser o invertebrado mais inteligente do planeta. O veterinário Gedean Galdino explica que dois dos corações enviam o sangue para respirar nas brânquias, enquanto o terceiro envia o oxigênio com força para o resto do corpo.
Já o sangue tem a cor azul por causa da hemocianina, proteína com cobre que ajuda o animal a respirar bem em águas frias e fundas.
Diferente do humano, que possui um sistema nervoso centralizado em um único cérebro, o polvo conta com um sistema nervoso espalhado, no qual a maior parte dos neurônios fica nos próprios braços.

Como funcionam os “nove cérebros” do polvo
A fama de ter nove cérebros vem da forma como os neurônios do animal se dividem pelo corpo. Apenas um terço do comando fica na cabeça, enquanto os outros dois terços ficam distribuídos em nós nervosos ao longo dos oito braços, permitindo que cada membro funcione quase sozinho.
Entre no canal de WhatsApp do Vida e EstiloCom esse sistema descentralizado, os braços conseguem tocar objetos, avaliar a força necessária para segurar presas e reagir sem esperar ordens o tempo todo.

Inteligência e truques no mar
A capacidade do polvo de resolver problemas impressiona a todos, pois o bicho consegue abrir potes com tampa de rosca, sair de labirintos e carregar cascas de coco para usar como abrigo. Nas ventosas, o animal tem sensores que funcionam como o paladar e o tato, sentindo o gosto e a textura de tudo o que encosta.
Para fugir de predadores no oceano, o polvo muda de cor e de textura em poucos segundos para se esconder. Se for ameaçado, solta uma nuvem de tinta escura que atrapalha a visão e o olfato dos inimigos.
“O cérebro central emite comandos de nível superior, como determinar a velocidade do movimento ou o ângulo de direção”, destaca o professor do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).

Vida curta e sensibilidade
Apesar da inteligência, a vida do polvo é curta e dura entre um e três anos, dependendo da espécie. O ciclo de vida termina após a reprodução.
A fêmea dedica todo o tempo para cuidar dos ovos e, em muitas espécies, deixa de se alimentar durante esse período, morrendo pouco depois da eclosão dos filhotes.
Estudos recentes também derrubaram mitos e provaram que o animal sente dor física e emocional de forma parecida com os mamíferos. Além disso, o corpo produz uma substância química na pele que impede que suas próprias ventosas fiquem grudadas nele, mesmo que por acidente.


