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É o bicho!

Saiba como o polvo usa seus três corações e "nove cérebros" no oceano

O polvo tem sangue azul, solta tinta para fugir de ataques e divide o comando do corpo entre a cabeça e os oito braços

11/10/2026 02:00
Freepik
Foto colorida com zoom, de polvo de cor avermelhada - Metrópoles.

O polvo chama a atenção nos oceanos por ter três corações, sangue na cor azul e ser o invertebrado mais inteligente do planeta. O veterinário Gedean Galdino explica que dois dos corações enviam o sangue para respirar nas brânquias, enquanto o terceiro envia o oxigênio com força para o resto do corpo.

Já o sangue tem a cor azul por causa da hemocianina, proteína com cobre que ajuda o animal a respirar bem em águas frias e fundas.

Diferente do humano, que possui um sistema nervoso centralizado em um único cérebro, o polvo conta com um sistema nervoso espalhado, no qual a maior parte dos neurônios fica nos próprios braços.

Hanna Koch/ReproduçãoImagem mostra pequenos polvos dentro de garrafa - Metrópoles
O polvo consegue passar por espaços estreitos desde que seu bico caiba na abertura. Isso é possível graças ao corpo flexível, que se adapta ao formato do espaço

Como funcionam os “nove cérebros” do polvo

A fama de ter nove cérebros vem da forma como os neurônios do animal se dividem pelo corpo. Apenas um terço do comando fica na cabeça, enquanto os outros dois terços ficam distribuídos em nós nervosos ao longo dos oito braços, permitindo que cada membro funcione quase sozinho.

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Com esse sistema descentralizado, os braços conseguem tocar objetos, avaliar a força necessária para segurar presas e reagir sem esperar ordens o tempo todo. 

Steven Trainoff Ph.D./Getty Imagespolvo de duas manchas da Califórnia. Sexo dos polvos Encontrei este polvo-de-duas-manchas (Octopus bimaculoides) no recife em plena luz do dia. Poucos minutos depois, ele/ela encontrou um parceiro e desapareceu em um buraco no recife. Acho que queria privacidade.
Polvo usa tentáculos com autonomia para explorar o ambiente

Inteligência e truques no mar

A capacidade do polvo de resolver problemas impressiona a todos, pois o bicho consegue abrir potes com tampa de rosca, sair de labirintos e carregar cascas de coco para usar como abrigo. Nas ventosas, o animal tem sensores que funcionam como o paladar e o tato, sentindo o gosto e a textura de tudo o que encosta.

Para fugir de predadores no oceano, o polvo muda de cor e de textura em poucos segundos para se esconder. Se for ameaçado, solta uma nuvem de tinta escura que atrapalha a visão e o olfato dos inimigos.

“O cérebro central emite comandos de nível superior, como determinar a velocidade do movimento ou o ângulo de direção”, destaca o professor do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).

Humberto Ramirez/Getty ImagesImagem colorida mostra um polvo camuflado no mar - Metrópoles
Os polvos têm alta capacidade de se camuflar no mar para escapar de predadores

Vida curta e sensibilidade

Apesar da inteligência, a vida do polvo é curta e dura entre um e três anos, dependendo da espécie. O ciclo de vida termina após a reprodução.

A fêmea dedica todo o tempo para cuidar dos ovos e, em muitas espécies, deixa de se alimentar durante esse período, morrendo pouco depois da eclosão dos filhotes.

Estudos recentes também derrubaram mitos e provaram que o animal sente dor física e emocional de forma parecida com os mamíferos. Além disso, o corpo produz uma substância química na pele que impede que suas próprias ventosas fiquem grudadas nele, mesmo que por acidente.