É o bicho!

Por que morte de Orelha comoveu tanto as pessoas, segundo psicóloga

A história do cão Orelha, vítima de maus-tratos, gerou grande comoção em todo o país. Psicóloga explica o que mais está por trás do fenômeno

atualizado

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Reprodução/ Redes Sociais
Orelha é homenageada nas redes sociais após ato de crueldade
1 de 1 Orelha é homenageada nas redes sociais após ato de crueldade - Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Nas últimas semanas, o Brasil se comoveu com a história do cão Orelha, um pet comunitário na Praia Brava, em Florianópolis (SC). O animal foi agredido a pauladas por um grupo de adolescentes e, após ter sido encontrado ferido, precisou passar por eutanásia.

Por meio das redes sociais, o caso gerou mobilização da comunidade local, que cuidava do cachorro há cerca de 10 anos, de ativistas pela causa animal e de todo o país. Nas plataformas, diversos usuários compartilharam a hashtag #JustiçaPorOrelha.

Em uma história tão cruel e triste como a de Orelha, é de se esperar que haja uma comoção tão forte. No entanto, existe algo maior por trás. Juliana Sato, psicóloga especialista em luto pet, explica que quando a violência atravessa um vínculo tão cotidiano, ela desorganiza um território afetivo inteiro.

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Muito mais que uma comunidade

Segundo Juliana, quando um animal como Orelha, que era um pet comunitário, faz parte da rotina de um lugar, ele deixa de ser um detalhe e vira presença. “O vínculo não nasce da posse, nasce da convivência. Aos poucos, ele se torna parte da paisagem emocional do bairro, uma referência silenciosa de familiaridade e pertencimento.”

Exatamente por conta disso que, ao ocorrer um caso de violência tão grave, a perda não se restringe apenas a uma casa ou família, e o sentimento se estende até para quem não conhecia o pet. “O que aparece não é apenas tristeza, mas também raiva, impotência e uma sensação difícil de nomear.”

“Na psicologia clínica, a gente reconhece isso como luto coletivo. Pessoas que não eram tutoras formais também sofrem, porque havia relação, e vínculo não precisa de documento para existir”, comenta.

A psicóloga ainda acrescenta que a violência contra animais também é uma pauta de saúde mental pública, já que trata de empatia, limites, convivência e o tipo de comunidade que está sendo construída. Além disso, notícias como essa expõem a ruptura de um pacto silencioso de cuidado entre as pessoas.

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Do ponto de vista psicológico.

Em casos de crueldade animal, Juliana alerta que existe outro ponto de atenção. De acordo com ela, do ponto de visto psicológico, ações de maus-tratos indicam um sinal de risco psicossocial. “Frequentemente coexistem com violência familiar e social. Não é um evento solto, é um sintoma de que algo no entorno já está fragilizado.”

Ainda assim, a especialista esclarece que isso não determina e nem autoriza conclusões sobre o futuro de alguém, mas que serve apenas como alerta. “Eles pedem leitura cuidadosa, rede de proteção e responsabilidade coletiva, não apenas indignação momentânea.”

Segundo a profissional, a violência revela como a comoção também vem de um lugar de questionamento sobre como as relações humanas estão sendo cuidadas.

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