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É o bicho!

Luto por pets: por que pode doer até mais que a perda de uma pessoa

Devido ao vínculo forte, o luto pelos peludos pode doer até mais que a perda de um ser humano. Especialista explica sintomas e como lidar

Julia de Mesquita25/01/2026 02:00, atualizado 23/01/2026 14:54
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Mulher e pet - luto pela morte de um animal

Lidar com o processo de luto pela morte de um ente querido é descrito por muitas pessoas como uma “batalha diária”. Assim também acontece com um animal de estimação: no dia a dia, é preciso enfrentar a ausência de coisas simples, como um passeio pela rua, colocar comida e até limpar uma bagunça feita pelo pet.

É por isso que, para alguns, o luto pela perda de um animal pode ser tão — ou até mais — doloroso do que o de um ser humano. Renata Roma, psicoterapeuta especialista em vínculos com animais, explica que esse processo, às vezes, é minimizado porque as pessoas esquecem que o que importa não é a espécie, mas o significado na vida de alguém.

Segundo ela, há um levantamento com tutores nos Estados Unidos que revela que 97% das pessoas declaram que o pet é percebido como um membro da família. “Não é uma surpresa que esse impacto seja tão grande. A pessoa perde uma parte importante de suporte emocional, de rotina e algo que dava sentido aos seus dias.”

Luto por pets: por que pode doer até mais que a perda de uma pessoa - destaque galeria
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A relação de proximidade entre tutor e pet influencia o bem-estar de ambos
A conexão mútua ocorre pelo olhar – adoção
Os animais de estimação desempenham um papel importante para a família
Os cães podem expressar afeto de diferentes formas
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Os cães podem expressar afeto de diferentes formas

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A relação de proximidade entre tutor e pet influencia o bem-estar de ambos
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A relação de proximidade entre tutor e pet influencia o bem-estar de ambos

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A conexão mútua ocorre pelo olhar – adoção
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A conexão mútua ocorre pelo olhar – adoção

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Os animais de estimação desempenham um papel importante para a família
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Os animais de estimação desempenham um papel importante para a família

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Vínculo emocional

De acordo com Renata, para muitas pessoas, o vínculo estabelecido pode ser tão intenso, que o pet ocupa o lugar emocional de filho ou de amigo. “Muitos se intitulam ‘pai’ ou ‘mãe’ de pet ou simplesmente declaram que ele tem um papel importante em ajudá-las a lidar com questões de saúde mental, como depressão e ansiedade.”

“O animal tem um papel de âncora emocional fundamental, está ali presente e exerce um papel não julgador. As pessoas conversam e compartilham emoções muito profundas com o seu animal de estimação, o que faz com que esse vínculo seja extremamente significativo”, comenta a pesquisadora da Universidade de Saskatchewan, no Canadá.

Mesmo entendendo que é uma fase difícil, muitas pessoas consideram exagero que a perda de um animal seja mais significativa do que a de um parente ou amigo. No entanto, o peso atribuído à morte envolve diversos fatores. Na maioria dos casos, ao contrário de certos entes, a convivência com o peludo é diária — e isso acaba pesando na dor.

Família e gato
Os pets passaram a ocupar lugares afetivos dentro das famílias

A psicoterapeuta ainda acrescenta que a falta de validação emocional pode ter impacto grande no processo. Nesse cenário, os sintomas podem ser mais intensos, incluindo isolamento social, depressão, ansiedade e ideações suicidas. “Mesmo entre profissionais, ainda existe um desconhecimento sobre esse tipo de luto.”

Reações emocionais mais comuns

A especialista explica que durante o processo de luto podem surgir sinais físicos e psicológicos. Além disso, ela também chama atenção para quando a situação vira um alerta. Confira:

  • Dificuldade para dormir;
  • Tensão constante;
  • Raiva e sentimentos intensos relacionados à perda;
  • Dificuldade de lidar com a rotina;
  • Falta de foco;
  • Sensação de vazio.
Mulher depressiva
Os sintomas podem ser físicos e emocionais
“Sempre que os sintomas são muito intensos, prolongados e acompanhados da sensação de estar sem saída, isso se torna um sinal de alerta”, pontua.

Como lidar com o luto?

Renata afirma que o primeiro passo para atravessar o processo de luto por um pet é entender que é algo natural e não patológico. “A experiência faz parte da vida de todas as pessoas, então é preciso validar e naturalizar como algo legítimo.”

Em seguida, é importante procurar espaços para expressar e elaborar memórias, o que cria um vínculo simbólico mesmo após a morte. “Falar sobre o animal, lembrar momentos positivos, recortar fotografias, fazer um álbum, escrever para ele, reunir pessoas e compartilhar histórias são formas importantes de elaborar a perda.”

Ainda assim, o alerta da profissional é claro: é necessário reservar espaço para projetos de vida direcionados ao futuro. “O ideal é buscar um equilíbrio entre ter momentos de simbolização da perda e momentos em que a pessoa possa se engajar em atividades voltadas para o futuro e em práticas de autocuidado”, conclui.