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É o bicho!

Macacos-barrigudos resgatados em MT ganham nova chance em MG

Dois macacos da espécie barrigudo, que corre risco de extinção, foram transferidos para Minas Gerais ao lado de comitiva pantaneira

21/05/2026 09:56
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Sema-MT
Macacos-barrigudos resgatados em MT ganham nova chance em MG

Uma comitiva animal para lá de especial deixou o Mato Grosso na segunda-feira (18/5) rumo a um novo recomeço. Dois macacos-barrigudos, espécie que sofre com o fantasma da extinção e está classificada como vulnerável na lista nacional, foram enviados para o Santuário Onça Pintada, em Curvelo (MG).

A viagem de preservação não foi solitária: os primatas ganharam a companhia de um tamanduá-mirim e de nove raríssimos jacarés-do-pantanal com características albinoides. Resgatados em diferentes cantos do estado — como Juína, Confresa e Cuiabá —, os novos moradores do santuário mineiro agora vão integrar programas nacionais focados em reprodução e reintrodução na natureza.

Entenda

  • Rumo a Minas: dois macacos-barrigudos, nove jacarés-do-Pantanal albinoides e um tamanduá-mirim deixaram MT para viver em um santuário de conservação em solo mineiro.

  • Salvando a genética: o grande objetivo do manejo é garantir a reprodução e a reintrodução dessas espécies no futuro, protegendo a herança genética dos animais.

  • População em queda: por causa da baixa taxa de reprodução, da caça e do desmatamento, a população de macacos-barrigudos pode encolher 30% nos próximos 45 anos.

  • Jardineiros da floresta: essenciais para a Amazônia, esses macacos se alimentam de frutas e espalham sementes, ajudando a manter a floresta de pé.

Cuidado veterinário e viagem planejada

Para que essa viagem interestadual acontecesse com total segurança, os animais passaram por um rigoroso check-up. O médico veterinário Vinicius Brito, da Coordenadoria de Fauna Silvestre da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema/MT), explica que a rotina com os bichos é intensa para garantir o bem-estar de todos antes do embarque.

“Estes animais recebem avaliações veterinárias rotineiras e cuidados diários, garantindo o bem-estar de todos”, pontua o veterinário.

A transferência é fruto de uma grande força-tarefa entre o governo estadual e órgãos federais como o Ibama e o ICMBio. Segundo a médica veterinária e analista ambiental Danny Moraes, a cooperação faz parte dos Planos de Ação Nacionais (PANs) para a conservação de espécies ameaçadas, que envolvem manejo, pesquisa e educação ambiental.

O gerente de Fauna Silvestre, Marlon Gallina, destaca que a origem diversa desses animais — vindos de cidades como Juína, Confresa e Cuiabá — mostra como a fiscalização e o resgate de fauna têm conseguido alcançar locais distantes para proteger a vida silvestre.

Macacos-barrigudos resgatados em MT ganham nova chance em MG
Por causa do desmatamento, da caça e da perda de habitat, o animal foi classificado como vulnerável à extinção

O desafio dos macacos-barrigudos

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os macacos-barrigudos são encontrados originalmente nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia e enfrentam tempos difíceis. A perda crônica de habitat devido à destruição de florestas e a expansão de atividades econômicas, somadas à caça, empurraram a espécie para a lista de vulneráveis.

Para piorar a situação de risco, esses animais têm uma biologia reprodutiva lenta: demoram bastante para atingir a maturidade sexual e geram pouquíssimos filhotes ao longo da vida.

Na natureza, eles são verdadeiros “jardineiros”. Embora complementem a dieta com folhas, flores e insetos, sua base alimentar são as frutas. Ao se deslocarem pelas florestas de terra firme para comer, eles espalham sementes por onde passam, cumprindo um papel vital no equilíbrio e na renovação do ecossistema amazônico. Enquanto algumas subespécies até toleram viver em áreas de mata fragmentada, outras dependem exclusivamente de florestas intocadas e não resistem a qualquer mudança em seu ambiente.