Guia do passeio seguro: veterinário ensina cuidados antes de sair com o pet
Levar água, evitar horários quentes e manter a vacinação em dia garantem a segurança física e mental dos pets no passeio do fim de semana

Planejar atividades ou passeio ao ar livre no fim de semana com os pets exige cuidados com o clima e com a escolha do percurso para evitar que a folga termine em exaustão e acidentes. O veterinário João Paulo Lacerda explica que é fundamental avaliar a saúde, o condicionamento e a idade do animal antes de qualquer “rolê”. O ideal é montar um kit reforçado com sacos coletores, guia adequada, coleira com identificação e recipiente próprio para oferecer água fresca.
Entenda
- Ao sair com seu pet na rua, coloque as costas da mão no chão. Se queimar a sua pele, vai machucar a pata do cão. Priorize a grama e a sombra no passeio.
- Nunca saia sem água fresca, vasilha, saquinhos coletores e coleira com identificação. Em trilhas, acrescente toalha e petiscos.
- Tremores, orelhas para trás e respiração muito acelerada mostram que o limite do bicho chegou. É hora de voltar para casa.
- Não obrigue o animal a brincar com todos os cães que encontrar no parque. A socialização segura durante o passeio acontece aos poucos.
- Os gatos geralmente não curtem sair do próprio território. Substitua o passeio na rua por arranhadores, prateleiras e brincadeiras de caça dentro de casa.
Em trajetos na natureza, como as trilhas ecológicas, o especialista recomenda incluir uma toalha, itens de primeiros socorros e petiscos. Em ambientes naturais, o tutor jamais deve permitir que o animal coma plantas, animais silvestres ou água de origem desconhecida.

Cuidados com o calor e o piso ideal para o passeio
Para que a programação de fim de semana seja segura, a principal estratégia é evitar os horários de pico do sol e priorizar locais com sombra e gramados. O asfalto absorve muito calor e pode provocar queimaduras nas patas mesmo quando a temperatura do ar parece agradável.
“Um teste simples para avaliar o piso é colocar o dorso da mão no chão por alguns segundos: se estiver quente demais para a mão, também estará para as patas do animal”, ensina Lacerda.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO tempo da caminhada varia de acordo com o porte, a raça e as características de cada bicho. Fraqueza, desorientação, alteração na coordenação ou dificuldade para respirar são alertas “vermelhos” para interromper a atividade imediatamente e buscar ajuda veterinária.

Eventos cheios e os limites de socialização no passeio
Muitas famílias aproveitam os dias livres para frequentar feirinhas e eventos ao ar livre, entretanto, nem todo bicho gosta de multidões e sons altos. Se o cão não estiver acostumado com ambientes movimentados, a adaptação deve começar por locais mais tranquilos para evitar fugas e brigas.
“O animal pode demonstrar desconforto por meio de sinais como tentativa constante de se esconder ou fugir, tremores, postura corporal muito baixa, orelhas retraídas, vocalização excessiva, respiração muito acelerada, salivação, inquietação ou recusa de interação”.
João Paulo Lacerda
Quando esses sinais de medo aparecem, forçar a interação é um erro grave. A socialização durante o passeio não significa obrigar o cão a brincar com todos os outros. A interação deve ser gradual e sem a disputa por brinquedos e alimentos.

Alternativas dentro de casa para substituir o passeio
Enquanto os cães costumam adorar as saídas de fim de semana, a realidade dos felinos é outra. Retirar os gatos de um ambiente conhecido costuma gerar muito estresse e, para eles, a rua não é necessariamente um sinônimo de bem-estar.
A melhor saída para divertir os bichanos e os cães mais caseiros é investir no enriquecimento ambiental. O uso de prateleiras, esconderijos, arranhadores e atividades de caça simulada funciona como um excelente substituto para o passeio tradicional.
As atividades de farejamento, por exemplo, cansam o bicho sem a necessidade de sair de casa. “O objetivo não é apenas cansar o animal fisicamente, e sim oferecer desafios que estimulem comportamentos naturais, como explorar, farejar, procurar e resolver problemas”, conclui o professor e coordenador do curso de medicina veterinária do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).













