Destrói tudo e late muito? Veja os sinais de ansiedade e tédio no cachorro
Entenda como mudanças na rotina, latidos e até mesmo a apatia revelam que seu cachorro pode estar ansioso e precisando de novos estímulos

Destruir objetos, latir mais que o normal, seguir o tutor pela casa ou simplesmente ficar mais quieto podem ter um significado além do que se imagina. A especialista em comportamento animal Beatriz França explica que essas mudanças de comportamento costumam ser interpretadas pelos tutores como falta de educação, excesso de energia ou até “manha”. Mas, em alguns casos, podem indicar que o cachorro está entediado, ansioso ou enfrentando alguma dificuldade de adaptação à rotina.
Entenda
- Destruir objetos e roer móveis por vezes pode não ser falta de educação. Se o cachorro faz isso, principalmente quando está sozinho, pode ser um sinal de ansiedade de separação.
- Um animal que era tranquilo e passa a latir muito pode estar demonstrando frustração, excesso de energia ou falta de estímulos adequados.
- Se o cachorro não consegue relaxar em outro cômodo e segue o tutor o tempo todo, ele está apresentando sinais claros de insegurança e dependência.
- Dormir demais e perder o interesse pelas brincadeiras nem sempre significa que o pet é “calmo”. Mudanças repentinas exigem investigação para descartar até mesmo dores físicas.
- Tentar resolver a agitação apenas com mais passeios é um erro. O cachorro precisa de enriquecimento ambiental, desafios mentais (como farejar) e momentos de descanso.
Uma pesquisa publicada na revista Veterinary Research Communications em junho de 2026 revelou que mais de 84% dos cachorros avaliados apresentavam algum nível de medo ou ansiedade em situações do cotidiano. As respostas foram obtidas a partir de dados de 43.517 cães participantes do Dog Aging Project.
Destruição e latidos do cachorro
Segundo a especialista, alguns sinais são fundamentais porque aparecem aos poucos e acabam sendo normalizados pela família no dia a dia. A destruição de objetos que antes não interessavam ao cachorro, como móveis e sapatos, é um excelente exemplo dessa mudança gradual.
“Roer móveis, destruir almofadas, sapatos ou objetos da casa pode estar relacionado à necessidade de explorar e gastar energia, e também pode aparecer em situações de ansiedade”, orienta Beatriz.

A profissional alerta que, se o estrago acontece principalmente quando o animal fica sozinho, é importante investigar uma dificuldade relacionada à separação.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesQuando um cachorro que era mais tranquilo começa a latir muito, é necessário entender o que mudou. Pode ser uma resposta à frustração, ao excesso de energia, à falta de estímulo ou à ansiedade.

Excesso de apego e a apatia no cachorro
Outro alerta importante acontece quando o pet não consegue relaxar em outros cômodos e passa a seguir os passos da família o tempo todo.
Essa atitude de acompanhar cada movimento do tutor indica insegurança, “principalmente quando representa uma mudança em relação ao padrão anterior”, explica a especialista.
Um cachorro apático, que dorme mais e perde o interesse pelas brincadeiras costuma ser ignorado por ser considerado “calmo”, no entanto, é necessário ficar atento aos sinais que vão surgindo aos poucos.
Caso ocorra uma mudança persistente dessa apatia, faça uma investigação com especialista, inclusive para descartar causas físicas, antes de focar no aspecto emocional.

Como tratar a agitação e entender o cachorro
A agitação constante, caracterizada pela dificuldade de descansar e rápidas mudanças de atividade, frequentemente é confundida com acúmulo de energia. Beatriz revela que tentar resolver qualquer alteração comportamental aumentando a quantidade de exercício físico é um erro clássico dos tutores.
O cachorro não precisa só correr. Precisa explorar, farejar, interagir, aprender e ter momentos de descanso. O enriquecimento ambiental e a estimulação mental são tão importantes quanto a atividade física. Um animal cansado fisicamente, mas frustrado ou ansioso, não necessariamente estará emocionalmente bem
Beatriz França
Quando não existe uma causa clínica diagnosticada por um veterinário, o acompanhamento profissional ajuda a identificar os gatilhos. Ao conhecer o próprio cachorro, a família percebe logo o que mudou, afinal, o comportamento é a principal forma do animal mostrar como está se sentindo.















